O presidente Lula ficou mais “pobre”. Em 2022, ele declarou que possuía bens avaliados em 7,42 milhões de reais. Agora, disse à Justiça Eleitoral que é dono de 4,77 milhões de reais. O patrimônio do petista caiu 2,6 milhões de reais. O que terá acontecido nos últimos quatro anos? Fez doações, errou em investimentos ou perdeu dinheiro na Bolsa de Valores? Talvez o comandante do país seja mais um brasileiro espoliado pelas bets.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin melhorou de vida. Quatro anos atrás, declarou que tocava o dia a dia com 1 milhão de reais. Em 2026, informou ao TSE um patrimônio de 3,3 milhões de reais, um crescimento acima de 100%. Perto de Romeu Zema, candidato do Novo, Lula e o vice são precariados. O mineiro é dono de 178 milhões de reais. Até a produção deste texto, não havia dados sobre bens e finanças de Flávio Bolsonaro.
Há casos que surpreendem pelas situações opostas. Nikolas Ferreira e Erika Hilton, por exemplo. O deputado pulou de 36 mil reais em 2022 para – atenção! – 3,8 milhões de reais hoje em dia. É um salto de 10.488% em quatro anos. O cara não é apenas um garoto-prodígio na política. É um gênio na arte do empoderamento financeiro.
Já a deputada Erika Hilton declarou que encara a dureza do cotidiano com um patrimônio de 15,9 mil reais. Na Câmara, o salário líquido é de quase 34 mil reais. Aí foi atacada nas redes. Ela disse que “é impossível enriquecer na política sendo honesta”.
Em São Paulo, Marina Helena, candidata a deputada federal, se revoltou após a imprensa informar que seu patrimônio cresceu 44% em dois anos. Em 2024, quando disputou a prefeitura paulistana pelo Novo, declarou 9,7 milhões de reais em bens. Agora, tem 14 milhões de reais. “Tenho muito orgulho do patrimônio conquistado sem nenhum centavo de dinheiro público”, explicou. Empresária, ela é comentarista na revista Oeste.
A declaração de bens é requisito obrigatório para o registro de candidatura na Justiça Eleitoral. Sinceramente, é algo meio inútil. Serve apenas para gerar comentários e piadas – porque sobram situações extravagantes. Além dos casos de explosão patrimonial milagrosa, há o extremo oposto, os candidatos com zero reais de patrimônio.
Os citados acima – e todos os milhares de candidatos pelo país – não serão incomodados pela Justiça, não darão explicação nenhuma sobre os valores declarados. Quando isso acontece, é aspecto lateral em alguma investigação mais rumorosa.
Ok, em nome da transparência, que os candidatos informem tudo o que é obrigatório segundo a lei. É um dado a mais à disposição do eleitor. Mas e daí? Não altera nada.
