Na política, há uma máxima vista como cláusula pétrea para se verificar a força ou a fragilidade de uma candidatura numa corrida eleitoral. Quando alguém se lança na disputa e, já na largada, é obrigado a se explicar sobre acusações, é encrenca na certa. No lugar de propostas e ideias, gasta-se tempo na ingrata missão de afastar suspeitas e desconfiança. Esse é o caso de Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro.

O deputado federal do PL voava tranquilo como aspirante a um mandato de senador. Pelas pesquisas, estava bem cotado para pescar uma das duas cadeiras em jogo. Longe do foco da imprensa nacional, o parlamentar poderia seguir com sua bandeira ideológica do Prendo, Arrebento e Cancelo CPF. A ração adequada para a direita brucutu.

Lideranças desse segmento organizaram uma recepção festiva ao vice do Zero Um no aeroporto Zumbi dos Palmares. Ao desembarcar de Brasília, após o anúncio da candidatura, o homem foi carregado nos ombros de militantes adestrados. Ao falar para sua plateia convocada, atirou bordões palanqueiros sobre o nada.

Numa imagem que homenageia a combinação de populismo rasteiro e demagogia, o candidato se abraçava a bandeiras do Brasil e de Alagoas. No que interessa para flashs de campanha em redes sociais, rendeu bons recortes para seguidores. Essa é a construção para os admiradores do homem em Alagoas. Mas e fora isso?

No âmbito nacional, seja na imprensa, seja no meio político, a realidade é o oposto do oba-oba do aeroporto. A turma da direita, incluindo os partidos e o meio privado, consideram a escolha do vice um verdadeiro desastre. Praticamente cem por cento do noticiário é negativo sobre a decisão de Flávio. O clima geral é de perplexidade.

Por enquanto, a manter o escolhido, o PL e a campanha do presidenciável montaram uma força-tarefa para enfrentar a onda de problemas, a começar com as acusações que pesam sobre Gaspar. Um verdadeiro gabinete de crise busca meios para blindar o alagoano, além de detectar outros eventuais esqueletos no armário do vice.

Do ponto de vista estritamente político, é urgente também buscar um discurso para vencer o que parece inexplicável: após o candidato espalhar ao mundo que teria uma mulher como vice, apresenta Alfredo, o Xerifão implacável. Um golpe a mais no eleitorado feminino, a maioria no país que vê em Flávio a sombra da misoginia.

Fato é que Alfredo Gaspar balança no posto de vice – e pode cair.