Ata. Nunca uma palavrinha de apenas três letras causou tanta controvérsia, dúvidas e especulações. Em tempos de definições políticas pelo Brasil, o termo está por toda a imprensa. Mas nada se compara ao que se passa em Alagoas. O que deveria ser um documento formal, algo a esclarecer deliberações, fatos e eventos, vem sendo achincalhado entre nós. Mas, afinal, o que é uma ata e qual seu alcance?
Fui ao Metaverso com essa pergunta. Aqui vão algumas das respostas, baseadas em dicionários diversos. “É um documento formal e oficial que serve para registrar, de forma clara e fiel, tudo o que acontece, é discutido e decidido em uma reunião, assembleia, congresso ou sessão”. Vejam aí: clareza e fidelidade no topo.
Outra definição: “registro histórico que guarda a memória exata dos assuntos tratados para consulta futura”. Mais uma: “dá segurança jurídica, funcionando como prova legal de acordos, votações e responsabilidades assumidas”. Quanto repertório resumido de maneira tão concisa numa consoante ladeada por uma mesma vogal.
E por último, mas não menos relevante, o acervo gramatical pela nuvem informa o seguinte sobre esse documento: “produz transparência, garantindo que ausentes ou terceiros saibam o que foi deliberado pelo grupo”. Como se vê, não resta dúvida quanto à dimensão do que estamos tratando. Não é um simples pedaço de papel.
Existe ata das sessões do parlamento brasileiro – nas três esferas. Existe ata nos tribunais, na OAB, nas assembleias dos sindicatos, nas reuniões de condomínio. Como está nas aspas acima, uma ata eterniza memória histórica e serve de prova legal no ordenamento jurídico do país. Mas conseguimos avacalhar toda essa beleza conceitual.
Ninguém confia nas atas de algumas convenções partidárias em Alagoas – sobretudo as do PL e do PSDB. É o grupo do qual sairá a chapa com João Henrique Caldas candidato, parece, a governador. No texto anterior a este escrevi sobre essa doideira sem precedentes. A situação de Ronaldo Lessa é especialmente dramática.
Zapeando pelos sites e canais da nossa imprensa alagoense durante esta manhã, encontrei a vereadora Olívia Tenório na Jovem Pan News Maceió. Filiada ao PP, ela é candidata a deputada federal. Na entrevista, o exotismo com as atas partidárias foi motivo de brincadeira entre a parlamentar e os apresentadores. A piada tá nas esquinas.
De volta ao conceito e à gramatologia. Ata vem de acta, da Antiguidade Clássica, no Império Romano. JHC, PL e agregados desmoralizam um paradigma milenar. Diabos!
