Não se fala de outra coisa nas últimas horas pelos corredores de Brasília, nos escritórios políticos, nas páginas e telas da imprensa. O PL avalia a troca de Alfredo Gaspar no posto de candidato a vice de Flávio Bolsonaro, na corrida presidencial. O motivo da possível reviravolta é o fato de o deputado alagoano ser alvo de uma denúncia de estupro. A vítima seria uma garota que, na época do suposto crime, teria 13 anos de idade.

Embora o vice escolhido não seja culpado de nada oficialmente, o problema, avaliam lideranças da campanha, é a lógica da política. A indicação de alguém com o nome envolvido em algo de tamanha gravidade é muito arriscado. Ainda mais em se tratando de um grupo político notoriamente com dificuldade no eleitorado feminino.

Num primeiro momento, Flávio e seu entorno entenderam que a acusação não teria maior repercussão, diante das explicações de Gaspar. Deu-se o contrário, no entanto. A reação negativa ao anúncio do nome do vice não para de se ampliar. Por isso, a ordem na campanha é pesar os fatores no cenário político – e tomar uma decisão rapidamente.

Como explicar que um candidato – Flávio Bolsonaro – que precisa melhorar sua imagem diante da mulherada escolhe como parceiro um suspeito de estupro? Parece até provocação. De novo: Gaspar não é culpado de nada, mas a acusação está na praça, com potencial de estrago na imagem da candidatura. O que fazer?

No UOL, jornalistas debateram a situação durante um bom tempo ao longo do dia. Leonardo Sakamoto informou que, sim, a direção do PL estuda a possibilidade de substituir Gaspar. Na busca por um nome de uma mulher, Michelle Bolsonaro voltou a ser cogitada. Para alguns bolsonaristas, seria a melhor solução. Mas há resistência. 

O caso surgiu em maio passado, depois de uma queixa-crime registrada pelo deputado Lindbergh Farias (PT) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB). A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para apurar os fatos. O ministro Gilmar Mendes pediu parecer à Procuradoria-Geral da República.

Além disso, o magistrado pediu mais informações aos denunciantes e determinou diligências – para somente depois decidir se Gaspar será mesmo alvo de uma investigação. O parlamentar se diz inocente e afirma que está sendo vítima de uma trama política movida pelo PT, em retaliação à sua atuação como relator na CPMI do INSS.

As próximas horas serão decisivas para um desfecho no impasse.