O primeiro presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, renunciou ao cargo em meio a uma crise que sacudia o país recém-saído da Monarquia. Assim, o vice Floriano Peixoto assumiu o posto para tocar o restante do mandato. Era 1891. O tempo voa. De lá para cá, mais seis vices assentaram na cadeira do presidente eleito. Os três últimos da lista foram José Sarney (1985), Itamar Franco (1992) e Michel Temer (2016).
Antes, Café Filho, em 1954, virou presidente após o suicídio de Getúlio Vargas. João Goulart, em 1961, quase era barrado pelos militares depois da renúncia do aloprado Jânio Quadros. Um parlamentarismo inventado às pressas – para tirar poderes do sucessor – viabilizou a posse. Logo adiante viria o golpe dos patriotas da época.
Vice é peça decorativa, não manda nada, não serve para nada, a não ser para atrapalhar o número um do governo. Esse é um pensamento recorrente, base até de personagem do humor brasileiro. Mas a realidade prova que não é bem assim. Diante do histórico nacional, vê-se que é bom tomar cuidado com essa escolha. Pode dar ruim.
Esse personagem, que a princípio parece um coadjuvante destinado ao nada, também ganha protagonismo nos governos municipais e estaduais. Para ficarmos no exemplo mais óbvio possível, aí está o prefeito de Maceió. Rodrigo Cunha comanda a capital alagoana sem que o eleitor tenha sido consultado a respeito. Não é bom.
No caso maceioense, a troca de comando não foi decorrência de alguma crise – foi apenas conchavo mesmo. Ao contrário do que ocorreu no governo do Estado em 1997, quando Manoel Gomes de Barros ascendeu ao posto de governador, após renúncia de Divaldo Suruagy. Mano tentou a reeleição em 1998, mas perdeu para Ronaldo Lessa.
Titular e vice costumam ter uma relação marcada por atritos e desconfiança. Para não ir muito longe, Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão ilustram o modelo à perfeição. A paranoia em relação ao parceiro que pode conspirar contra o chefe do Executivo pode ter bases fantasiosas ou verdadeiras. Temer foi, ninguém duvida, traíra de Dilma Rousseff.
No UOL, ao analisar Alfredo Gaspar como vice do Zero Um, o jornalista Josias de Souza disse que, se a dupla ganhar a eleição, “devemos rezar pela saúde de Flávio Bolsonaro”. Acho que todo mundo entendeu. O deputado é de uma ultradireita ignorante e troglodita.
Pelo conjunto da obra de episódios acontecidos, pode-se dizer que o vice apronta na chegada e na saída. Flávio disparou pra todo lado até chegar ao escolhido. Na eleição alagoana, Renan Filho e JHC ainda não têm o companheiro de chapa. Muita cautela.
