A eleição no vizinho estado de Pernambuco foi ao noticiário nacional devido a uma troca de acusações entre Raquel Lyra e João Campos. O curioso é que a governadora e o ex-prefeito do Recife se acusam basicamente pelo mesmo tipo de crime. Os dois lados discordam dessa afirmação. Embora o eixo das ações judiciais, digamos assim, seja a produção de informações falsas, cada qual defende seus métodos – e condena os métodos da campanha rival. Lá, o TRE também recebe enxurrada de denúncias.
Resumindo, ambos atribuem ao adversário a formação de uma tropa, em parte clandestina, para atuar nas redes sociais, no Metaverso em geral. Entre as práticas delituosas estariam o uso de robôs e perfis falsos, a produção em massa de mensagens padronizadas e um esquema para alcançar milhares de eleitores ao mesmo tempo.
As duas campanhas teriam montado, portanto, o já clássico Gabinete do Ódio. A maquete disso daí, foi demonstrado, nasceu com a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Cabia ao filho Zero Dois, o perturbado Carlos, a direção da engrenagem que gerava uma fake news por minuto. Hoje, tudo avançou.
Até o começo deste ano, Campos liderava as pesquisas com ampla vantagem, visto até como imbatível. Mas a governadora que tenta a reeleição virou o placar e hoje é ela quem lidera a corrida. A ironia é que o ex-prefeito tiktoker era o rei nas paradas virtuais, mas agora reclama da investida de sua rival nesse campo de batalha.
A judicialização da campanha eleitoral, decorrente de duelos na seara digital, ocorre em todo o país. Os casos alcançam as disputas pelos governos estaduais e a guerra pelo Palácio do Planalto. Lula e Flávio Bolsonaro são ao mesmo tempo autores e alvos de denúncias ao TSE. Sim, em toda eleição, de dois em dois anos, isso acontece.
O dado particular agora é o “requinte” das maquinações fraudulentas, além da dimensão junto ao eleitorado. Os gabinetes de ódio foram aprimorados em níveis nunca imaginados – sobretudo com a inteligência artificial. Um desafio e tanto.
Por aqui, na eleição alagoana, o TRE tem recebido demandas que buscam tirar do ar publicações específicas. Candidatos querem derrubar tudo. Não há, até onde sei, denúncia de algo como o caso pernambucano. Mesmo numerosas, são ações pontuais.
Seja qual for o quadro, inaceitável é Justiça leniente com a censura.