Enquanto isso, entre a beira da praia e Jaraguá, João Henrique Caldas segue entocado. A formação da aliança que vai às urnas com JHC candidato a governador vai sendo anunciada por terceiros, aos poucos, nome a nome. Mas o exotismo não fica por aí. Além da fragmentação da lista de candidaturas, não se pode confiar em praticamente nada do que foi anunciado. Afinal, o ex-prefeito de Maceió parece mudar de ideia todo dia.

O que foi apresentado na convenção pode não valer nada até o próximo dia 15, data-limite para registro da ata com os nomes dos postulantes aos cargos em disputa. São muitas as dúvidas, algumas com lances de comédia. O vereador Kelmann Vieira foi rifado da lista de candidatos a deputado federal. Mas garante que será incluído.

Marina JHC, ex-primeira-dama do município, está na lista – apresentada na convenção do PSDB – como candidata à Câmara. Mas foi solenemente citada como aspirante ao Senado por ninguém menos que Flávio Bolsonaro, o candidato do PL ao Planalto. Mas isso foi combinado com Arthur Lira? Ela vai disputar o quê finalmente?

O anúncio de Marina para o Senado foi feito pelo presidenciável numa live ao lado do senador Rogério Marinho. Os dois ressaltaram também a candidatura de Lira para senador – “um compromisso com o presidente Bolsonaro”. O arranjo não combina com as informações divulgadas por colegas analistas em nossa imprensa.

Se eu não estiver confundindo as coisas, segundo a ata do PP, o partido de Arthur Lira, o vice de JHC será indicado pelo PL do deputado Alfredo Gaspar, que virou o vice na chapa com Flávio Bolsonaro. Nesse caso, temos uma das maiores marmotas no processo de coligações alagoanas, que se resume numa pergunta: cadê Ronaldo Lessa?

O vice-governador rompeu com o grupo do governador Paulo Dantas e dos Calheiros para se unir a JHC. Um dia desses, sob o brilho da roda-gigante da Pajuçara – esse monumento cultural da cidade –, os dois praticamente selaram a chapa. O encontro foi quase um manifesto de viva voz pelo projeto de “uma nova Alagoas”.

Na convenção do PDT, o próprio Lessa anunciou que será o vice de JHC. Mas o que temos hoje? No desenho das demais convenções, o ex-governador e o PDT são figurantes na coligação que, ao fim e ao cabo, representa o bolsonarismo em Alagoas. Bem, não sei nada de bastidores. Sei que Ronaldo Lessa tem uma biografia a zelar.

Nunca se viu tamanha presepada na formação de um grupo para disputar uma eleição. E, na era do identitarismo e do cancelamento, nem posso falar em samba do crioulo doido.