A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro confirma o isolamento do presidenciável da extrema direita. Durante meses, o Zero Um atirou para todos os lados na busca de um nome que garantisse o apoio de algum partido forte – PP, União Brasil, Republicanos. E nada. O primeiro “vice dos sonhos” era Ciro Nogueira, presidente do Progressistas. O escândalo Master implodiu essa alternativa.
O PL continuou na busca por um nome da mesma legenda de Ciro e Arthur Lira. A favorita passou então a ser a senadora Tereza Cristina, ex-ministra no governo Bolsonaro. Além de representar a turma do agronegócio, seria um aceno para o eleitorado feminino, segmento no qual Lula tem boa vantagem sobre o adversário. Sem acordo.
Flávio deu vários sinais de preferência por outra mulher. Seria Daniella Marques, que atua na campanha do candidato como formuladora de um programa econômico para um eventual governo. Ela também estava muito a fim de pescar a vaga. Mas o Republicanos, legenda na qual Daniella se filiou há pouco tempo, disse não aos interessados.
Aos 44 minutos do segundo tempo, quase na prorrogação, até o nome de Marina JHC foi cogitado, segundo reportagem do jornal O Globo. Filiada ao PSDB, a ex-primeira-dama de Maceió também resolveria a urgência de se comunicar melhor com a mulherada. Mais uma vez, assim como fizeram demais partidos, o tucanato descartou a possibilidade.
Um dos critérios obrigatórios na composição de uma chapa é arranjar um vice que amplie o diálogo com segmentos que, por alguma razão, estejam distantes do titular. Com o perdão pelo clichê, é preciso um parceiro “para somar”. Gaspar é mais do mesmo Flávio. Os votos do alagoano já estão com o candidato a presidente. Eles são iguais.
Se o filho de Bolsonaro pena com o isolamento político, seu candidato a vice aprofunda essa encrenca. No lugar de mais diálogo, a retórica virulenta, raivosa – na linha de Eduardo e Paulo Figueiredo. Com Alfredo, o Flávio que sempre foi um “moderado de vitrine” deixa de lado a fantasia e se abraça à essência da qual nunca se afastou.
É muito provável que a campanha de Lula esteja comemorando a escolha de seu rival. Enquanto o presidente, mesmo com dificuldade, amplia as conversas, a decisão do PL segue na direção contrária, volta-se mais ainda para dentro de seu cercadinho.
Resumindo, a chapa puro sangue, que às vezes pode significar soberba sem disfarce e confiança de sobra no próprio time, aqui temos o contrário. O vice de Flávio confirma uma candidatura de segregação. Foi o que sobrou para o bolsonarismo.
