Dois meses para o dia da eleição. Embora o imprevisível frequente com alguma regularidade o ambiente da política, o tempo para acertar as coisas a partir de agora é bem mais apertado. Em 11 dias, encerra o prazo para registrar as candidaturas. O início da propaganda na rua se dá em duas semanas. Mesmo assim, tem gente namorando o perigo ao embaçar negociações para fechar alianças. Exemplos não faltam.

No panorama nacional, o evento mais ruidoso foi nas Minas Gerais. Nesta segunda-feira 3 de agosto, o fim do impasse sobre uma candidatura ao governo foi constrangedor. O senador Cleitinho Azevedo, forçado a desistir da disputa, anunciou a decisão com um banho de lágrimas, ao lado de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos.

No Rio de Janeiro, o União Brasil retirou uma candidatura ao Senado e anunciou que estará neutro na corrida presidencial. O caso é ruim para Flávio Bolsonaro, que vê o palanque fluminense ficar enroscado. Uma confusão numa hora dessas no terceiro maior colégio eleitoral do país. A parada fica em aberto e expõe fragilidade na campanha.

O cenário no Paraná também acaba de passar por um sacolejo que altera a correlação de forças. Rafael Greca desistiu da eleição ao governo e virou vice do candidato do governador Ratinho Junior. Ao mesmo tempo, o veterano Álvaro Dias, líder nas pesquisas para o Senado, também foi “convidado” a pular fora da competição, e pulou.

Há outras confusões, graves ou mais ou menos, nas demais regiões do país. Indefinição sobre vice é uma das situações mais comuns. Pode ser apenas parte de uma estratégia ou a evidência de um impasse mais complicado. Cada caso é um caso. Flávio Bolsonaro ainda não tem vice. Renan Filho também não. JHC, então, parece não ter nada.

Segurar o anúncio de nomes e outras escolhas também pode ser, de novo, um lance, uma jogada num plano de jogo já definido. Trata-se assim de uma aposta calculada. Não é o que se passa, por exemplo, com Flávio e JHC – para juntar outra vez uma novela nacional e uma noveleta do nosso terreiro. Ambos enfrentam sérias dificuldades.

Na eleição majoritária, o fator tempo é mais delicado. Porque as alianças são por todo o estado, ou pelo país inteiro, na corrida pela Presidência. Sim, o eleitor desperta mesmo, dizem pesquisas, a duas semanas da votação. Mas isso não altera em nada as etapas inescapáveis de ação para candidatos e partidos. O relógio acelera a partir de agora.