Parece uma história típica das tradições nordestinas. O fim de uma parceria tem como consequência o espancamento de um vereador. As agressões são tão fortes que a vítima precisa ser levada a um hospital. O episódio poderia estar retratado nas páginas de Jorge Amado, José Lins do Rego ou Graciliano Ramos. Mas estamos falando de um acontecimento da vida real, nas quebradas da política alagoana.
Os fatos ocorreram na semana passada. Até agora, há mais dúvidas do que informações claras sobre o que houve entre o vereador Carlos Aliberto, do município de Anadia, e o deputado Antônio Albuquerque (foto). Este é apontado não apenas como o mandante do ataque ao agora desafeto, mas também como um dos espancadores.
Albuquerque publicou um vídeo no Instagram no qual repudia a acusação. Ao se defender, o parlamentar acrescenta um detalhe no mínimo curioso: maços e sacos de dinheiro. Ele confirma que se desentendeu com o vereador, mas tudo não passou de uma “conversa ríspida”. Diz que é alvo de “narrativa com interesses políticos e eleitorais”.
Na gravação de mais de quatro minutos, o deputado faz uma descrição detalhada e cronológica. Segundo ele, o vereador chegou a seu escritório em Maceió “acompanhado de dois homens fortemente armados”. Albuquerque não estava no local. Aliberto abordou duas funcionárias, “exigindo que recebessem uma quantia em dinheiro e assinassem um recibo”. Intimidadas, elas se recusaram, e conseguiram acionar o deputado.
Albuquerque narra assim o que se passou ao chegar ao local e encontrar o vereador: “Disse ao vereador que sua conduta era pequena, covarde e inadmissível. Tivemos sim uma conversa ríspida, na qual reafirmei que jamais fui agiota. O vereador saiu andando, com seus seguranças, levando de volta as sacolas de dinheiro”. Ele afirma que as câmeras de segurança “vão provar toda a verdade”, que é vítima de uma armação.
No vídeo, Alburquerque também reage ao prefeito Marlan Ferreira, seu adversário histórico em Limoeiro de Anadia. Ele diz que o gestor “não tem moral” para lhe fazer acusação, como fez, neste episódio, pelas redes sociais. E afirma que o rival “metralhou a casa do prefeito de Coité do Noia”. O deputado fala em “respeito às instituições”.
O presidente da União dos Vereadores de Alagoas, Neto Bomfim, foi ao hospital onde estava o vereador. Ele também se manifestou num vídeo. Sem citar Albuquerque, diz o seguinte: “Acabamos de receber a denúncia de uma suposta agressão por parte de um deputado ao vereador Carlos Aliberto. Caso comprovado, a Uveal entrará com as medidas cabíveis. Essas práticas não existem mais. O coronelismo acabou”.
Falta a palavra do vereador. Até agora, ele nada falou publicamente de viva voz. Não consegui apurar se ele ainda está hospitalizado. Toda a confusão seria decorrência de uma mudança de lado na política estadual, com implicações nas eleições deste ano. Se as coisas seguirem o curso devido, cabe à polícia esclarecer que bagaceira foi essa.
