Primeiramente, é uma satisfação contar com leitores que pensam ideias diversificadas sobre os fatos dessa vida sem explicação. Pensamento único, a cartilha de qualquer patota é uma leseira da qual devemos manter saudável distância. Como uma medida protetiva. É no conflito de pontos de vista que as janelas se abrem e o campo de visão se amplia e nos surpreende. Emular o mais do mesmo reafirma e calcifica o que já é predominante. A bolha. A zona de conforto. O funesto “pertencimento”.

Que besteirada toda é essa agora? Foi o que me ocorreu diante dos comentários de alguns leitores, aparentemente filiados ao bolsonarismo. Digo “aparentemente” em respeito ao princípio do direito ao benefício da dúvida. “Escreva sobre o filho do ladrão de 9 dedos agora”. “Não vai falar nada do Lulinha, blogueiro esquerdista?”.    

São meus queridos e fiéis leitores bolsonaristas, também conhecidos como fanáticos da extrema direita – com todo o respeito. Passam por aqui, especulo, para conferir o que o jornalista que tanto desprezam está falando sobre qualquer coisa, incluindo os lances da política. A julgar pelas reações exaltadas, amam odiar o que aqui se escreve.

Nessa última onda de cobranças sobre o conteúdo do blog, além do Lulinha, o leitorado exige que fale do senador petista baiano e sua relação com o banqueiro do Master. Para resumir, o que tenho a dizer está no texto que publiquei em 19 de junho, com o título “Jaques Wagner e corruptos de estimação”. Quem quiser, pode conferir no arquivo.

Minha causa não é o lulismo ou o petismo – mas você tem a prerrogativa de pensar o que quiser. Defendo o Estado Democrático de Direito, mesmo com todos os seus defeitos e problemas. Nenhuma ditadura pode ser melhor que a democracia. Milicianos e torturadores devem ser presos, e não condecorados pelos “representantes do povo”.

Enfim, é o básico do que chamamos de civilização. Mas nos tempos de Trump e Bukele, de Putin e Ortega, esses paradigmas vão ficando cada vez mais na esfera do relativismo. A adesão ao arbítrio e ao autoritarismo, à direita e à esquerda, embala o fracasso de um país e a miséria de uma sociedade. Bolsonaro é uma ilustração desse lixo universal.

Tirante isso daí, salve a dissidência, a contramão, a rebeldia. O fanatismo e a ideia de debate são trilhas paralelas que não se encontram nem no infinito. Eternamente, o confortável padrão. Mas o instigante mesmo, perturbador, é ser confrontado com a divergência. É desse atrito que sai a faísca do inesperado, do imprevisto, até da epifania. 

Lulinha, Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner etc. são distrações irrelevantes.