Três equipes de marketing & comunicação em apenas seis meses. A instabilidade mostra as dificuldades que a turma de Flávio Bolsonaro enfrenta para definir a estratégia na caça ao eleitor. Qual a linha do candidato afinal? Desde que foi ungido pelo pai, em dezembro do ano passado, o núcleo da equipe do Zero Um não consegue chegar a um consenso. Entre as várias confusões, o dilema central é sobre o tom no discurso do candidato.
Após o anúncio da pré-candidatura, o escolhido da família oscila entre uma suposta moderação e o velho padrão bolsonarista. Na primeira fase da aventura, Flávio se apresentou como “o Bolsonaro que tomou vacina”. É uma referência à postura do pai quando presidente durante a pandemia de Covid-19. O “mito” prescrevia cloroquina.
Quando as pesquisas começaram a mostrar um “teto” nos índices do aspirante ao Planalto, a primeira trupe de marquetagem dançou. Assumiu uma dupla que fez fama com publicidade de cerveja. Os novos contratados decidiram que era preciso refinar a mesma ideia de um Flavio mais “civilizado”, longe do perfil do grotesco Jair.
O desempenho nas pesquisas não apresentou avanços. Devagar e sempre, Lula foi consolidando vantagem a cada rodada sobre a intenção de voto no eleitorado. A crise se agravou para o nome da ultradireita após o caso Dark Horse – e os 134 milhões de reais solicitados a Daniel Vorcaro. A reação teria de ser “cirúrgica” (desculpem).
Enquanto os publicitários escreviam alguma peça de defesa, o escândalo escalou em novas revelações. Logo em seguida, veio o vídeo de Michelle Bolsonaro. Mais adiante, a investida abjeta de Paulo Figueiredo, amigão de Flávio engajado na campanha, contra as mulheres. Como se não bastasse, o tarifaço de Trump caiu na conta do candidato.
Os criadores de slogan cervejeiro foram atropelados pelos desastres em série. Sobrou para eles. E agora há pouco saiu o anúncio de mais uma mudança no marketing da campanha. Está de volta o grupo que trabalhou para Jair Bolsonaro em 2022. O chefe é Duda Lima, homem de confiança de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
Segundo relatos na imprensa, a relação não é nada boa entre a área da comunicação e o senador Rogério Marinho, o ainda coordenador da campanha. Conhecido como figura intratável, lotado de arrogância, Marinho costuma se meter na área da marquetagem.
Esse tipo de atrito é comum em toda campanha eleitoral. O problema, no caso de Flávio, é que a propaganda política não faz milagre. Ele continua atirando a esmo. E, como no futebol, não há técnico que dê jeito em time de perna de pau. A conferir o que vem aí.
