Em janeiro de 2025, o bolsonarismo e a oposição ao governo no Congresso Nacional entraram em êxtase. Sóstenes Cavalcante, Rogério Marinho, Bia Kicis, Sergio Moro, Carlos Jordy e uma multidão de mesmo quilate decretaram o fim do governo. Mequetrefes da política alagoana surtaram de euforia diante do que acontecia naquele começo de ano. Uma bala de prata na testa de Lula. O cara estava politicamente morto.

E o que era tudo aquilo? Era a celebração de uma das maiores fake news na história do país, produzida pelo delinquente Nikolas Ferreira. O sujeito divulgou um vídeo no qual “denunciava” que o Ministério da Fazenda, via Receita Federal, pretendia cobrar imposto pelo uso do Pix. No triunfo do absurdo, uma farsa monopolizou o debate público.

No reino do vale-tudo, o autor da infâmia foi celebrado como um “gênio” do marketing por conseguir com que seu vídeo tivesse milhões de acesso. Um ato abertamente criminoso sendo tratado como realização de um jovem que “domina os novos tempos” das redes sociais. Numa completa inversão de valores, o criminoso ovacionado.

O estrago da safadeza atravessou semanas. E todo santo dia, algum “analista” decretava fim da linha para Lula e seu governo. A oposição acreditou. Qualquer desqualificado subia à tribuna da Câmara ou do Senado para repetir o veredito – à base de insultos, escracho e vulgaridade. A eleição que vem aí estava decidida um ano e meio atrás. 

Algum idiota sapecou a expressão usada pelos americanos para qualificar o presidente sem poderes no fim do mandato. Lula era, nessa falsa analogia, o “pato manco”. O PL e facções aliadas começaram mesmo a especular a formação do futuro governo. A turma do mercado – como não? – se assanhou a sugerir nomes para o ministério.

Corta para julho de 2026. Tudo aquilo evaporou. Lula e o núcleo duro de sua gestão souberam enfrentar a operação fraudulenta. Especulo que três fatores se juntaram na virada: Um ajuste da comunicação oficial, ações na economia e na área social que chegaram na ponta e – dose de ironia – a aliança de traidores do país com Donald Trump.

E veja como são as coisas. Nessa investida da família Bolsonaro com os Estados Unidos, foram os irmãos Flávio e Eduardo que ofereceram o Pix dos brasileiros ao governo americano. Um show de entreguismo. A indecência do clã supera as piores expectativas.

A dois meses da eleição, a candidatura de Flávio cambaleia. Segmentos relevantes na paisagem pública, incluindo o tal mercado, preveem a vitória de Lula. A turba de janeiro de 2025 ignorou princípios e variáveis da essência da política. Erro fatal. Por aí.