Aécio Neves está vivo. O atestado de capacidade para voltar ao centro da política veio a público nesta terça-feira 28 de julho. Refiro-me à nova pesquisa Quaest sobre as eleições em Minas Gerais. Até agora, o deputado federal não confirmou se será candidato à reeleição à Câmara ou se entra na disputa por uma cadeira no Senado. Presidente nacional do PSDB, o tucano ganha um incentivo para cravar a escolha.

Para surpresa geral, a Quaest mostra que o quase presidente eleito em 2014 tem chance real de retomar o posto que já ocupou por oito anos – ele foi senador entre 2011 e 2019. Abatido por uma gravação de uma conversa com o bilionário Joesley Batista, o mineiro não tinha votos para renovar o mandato de senador. Elegeu-se deputado em 2018.

Esse jogo virou agora, é o que dizem os números da pesquisa. Em quatro cenários, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, do PT, lidera com 18% a 20% das intenções de voto. Aécio vem em segundo, com 16%, o que configura empate técnico. Em terceiro lugar, aparece o bolsonarista Carlos Viana, do PSD, que tenta a reeleição.

O senador Rodrigo Pacheco, que fecha oito anos de mandato, anunciou que não será candidato a nada e está deixando a vida política. Seria um nome que certamente estaria na briga pelas primeiras posições. Com duas cadeiras em jogo, é praticamente certo que Aécio vai entrar na parada. Ele deve confirmar a candidatura daqui a pouco.

Eleito senador, o neto de Tancredo Neves estará de volta ao topo. Primeiro porque vence uma eleição majoritária, um teste bem mais difícil do que a disputa para deputado. Além disso, porque seria uma vitória em Minas – segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Há um eloquente simbolismo que não pode ser ignorado.

Com circunstâncias peculiares, Aécio está na companhia de outros nomes que, fulminados há alguns anos no jogo político, tentam uma volta por cima. Em Brasília, o notório José Roberto Arruda é candidato a governador. No Rio, Anthony Garotinho também tenta o governo. Também na cena carioca, Marcelo Crivella briga pelo Senado. 

No comando de uma jornada para praticamente ressuscitar o PSDB – dado por muitos como acabado –, Aécio ainda sonha com o Palácio do Planalto. Hoje, essa hipótese ressoa como um delírio, é verdade, mas estamos tratando de política, sabe como é. 

Se voltar ao Senado, não tenho dúvida, o mineiro será protagonista. Com isso, terá o palco e as condições para tocar sua prioridade absoluta de olho no Brasil pós-Lula. Se as urnas confirmarem a pesquisa do momento, Aécio Neves deflagra o Projeto 2030.