Agora não há mais dúvida. Nos últimos dias, pegou embalo uma operação que reúne o topo da plutocracia brasileira, aquele mundo paralelo habitado pelos segmentos que formam a elite do país. São os donos do capital, os controladores do chamado mercado financeiro. Promotora do ódio de classe contra Luiz Inácio Lula da Silva, essa escória marchava, mesmo contrariada, com a aventura do presidenciável Flávio Bolsonaro.
Mas o filho Zero Um do ex-presidente condenado por golpe de Estado virou um problema. Ou melhor, uma coleção de problemas. O grande favorito do “andar de cima” era Tarcísio de Freitas, mas ele não teve coragem, nem estatura moral, para peitar Bolsonaro, seu criador. E o golpista ungiu o filhote mais velho como candidato.
Com Tarcísio fora do páreo, a casta milionária teve de engolir o rapaz que condecorou um miliciano quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Não tem tu, vai tu mesmo. Ocorre que, com poucos dias de pré-campanha, os escândalos começaram a pipocar – o primeiro foi o áudio no qual Flávio rasteja para Daniel Vorcaro por 134 milhões de reais.
Pelo conjunto da obra, que inclui tarifaço e outras encrencas, o candidato do PL está isolado. Pelas pesquisas, as projeções indicam uma vitória de Lula. Daí que, na busca por uma alternativa, os donos do dinheiro querem porque querem viabilizar Ronaldo Caiado. O ideal para a Faria Lima seria a troca de candidatos – algo quase impossível.
A eleição é uma questão de vida ou morte para a família do Jair. É a lógica da máfia – como diz o próprio Flávio nos palanques, “aqui é sangue Bolsonaro, porra!”. Nesse panorama conturbado, o topo do PIB está decidido a fazer de tudo para fortalecer Caiado. Ele é tido agora como o aspirante capaz de bater Lula no segundo turno.
Nova pesquisa BTG/Nexus. Nas simulações de segundo turno, Lula vence Flávio por 47% das intenções de voto contra 43%. Frente ao ex-governador mineiro Romeu Zema, o presidente marca 46% a 42% das preferências do eleitorado. Numa eventual disputa com Renan Santos, o placar fica em 47% a 39% para o petista. E com Ronaldo Caiado, há um empate técnico – 45% para Lula e 43% para o ex-governador goiano.
É aí que a banca da ultradireita quer jogar todas as fichas. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira 27 de julho. O quadro já havia sido detectado por outros levantamentos, de diferentes institutos. O problema para Caiado é que ele briga pelo mesmo eleitorado de Flávio. O bolsonarismo é o x da solução e do dilema.
E ainda não está descartada a hipótese de vitória de Lula no primeiro turno. É o que mostram os dados da BTG/Nexus. Na primeira rodada de votação, o presidente tem 42% das preferências. Flávio tem 36%. Caiado marca apenas 6%, e aí está seu terrível drama. Renan Santos aparece com 5%, e o ridículo Romeu Zema pontua com 3%.
O “Mercado” tem de trabalhar duro para anabolizar seu novo testa de ferro.
