Eles e elas ganharam alguma notoriedade pela atuação na imprensa ou no YouTube. São, para simplificar, comentadores da política brasileira. Há jornalistas, influenciadores, apresentadores de TV e gente da academia – professores universitários. Cada qual com sua trajetória peculiar, esses profissionais se encontram numa escolha comum a todos: decidiram se candidatar a um mandato nas eleições deste ano. Vamos a alguns casos.

A lista é quase aleatória e, claro, não comporta todos os candidatos com a mesma origem dos citados aqui. Um dos mais conhecidos é o historiador Marco Antonio Villa. Há mais de uma década, ele migrou do ambiente acadêmico para os holofotes da imprensa. E do colunismo nos jornais foi bater diante das câmeras com estridência.

Na Veja, na TV Cultura e na Jovem Pan, Villa virou um personagem de si mesmo como porta-voz do antipetismo. Foi um exaltado apoiador da Lava Jato – depois reconheceu os “graves erros” da operação. Após virar ídolo na ultradireita, moderou o discurso e, hoje, tenta aquele equilíbrio distante, na base do nem Lula nem Bolsonaro.

Assim como os demais nomes que vão aparecer aqui, o historiador é candidato a deputado federal. Silvio Navarro também quer uma cadeira em Brasília. Foi da Veja nos tempos de Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Nos últimos invernos, Navarro foi para a revista Oeste, mas acabou demitido por razões que não foram reveladas.

O jornalista estava até um dia desses na Rádio Auriverde, com canal no Youtube. É um reduto fanaticamente engajado na causa bolsonarista. Navarro, aliás, anunciou que, como deputado, sua luta número um será “resgatar o presidente Bolsonaro”. O anúncio da candidatura teve tom messiânico e “emoção” da equipe da Auriverde.

Nome bem mais afamado é o da jornalista Rachel Sheherazade. Apareceu para o Brasil como mais uma voz a detonar Lula e a esquerda. De âncora no SBT, tentou ser apresentadora de programa de auditório na Record TV, mas a experiência foi um fiasco. Também deu uma guinada e, agora, parece mais simpática ao “lulismo”.

Mais para o campo da galhofa, estão o “contador de histórias” Geraldo Luís e o caçador de maconheiro Sikêra Junior. Jesus de Belém! Sikêra, velho conhecido dos alagoanos, diz que virou candidato por convite de ninguém menos que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Por aí se vê o nível das lideranças nacionais da política.

Mais duas mulheres. Antonia Fontenelle e Silvia Abravanel. A primeira coleciona processos na Justiça por declarações ofensivas a meio mundo de gente. É abusadamente desbocada (nesse caso, é um elogio). Abravanel é uma das filhas de Silvio Santos – único nome da lista que não tratava de política em programa no SBT.

Menos conhecido do que os demais, Clayson Felizola tem quase 1 milhão de inscritos em seu canal no YouTube. Professor universitário em Minas Gerais, defende as “pautas progressistas”, e combate o avanço da “extrema direita fascista”.

Esses candidatos a deputado federal – por SP, RJ e MG – têm uma multidão de seguidores. Alguns já amargaram derrota em eleições anteriores – porque seguidor não é sinônimo de voto. Mas todos estão aí, sonhando em mudar de lado no balcão. 

Na imagem, Villa, Sheherazade, Sikêra e Fontenelle: o voto pelo atalho da fama.