As recentes declarações falsas de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas não ocorreram por acaso. Não se tratou de uma fala repentina, fruto do improviso, sem qualquer intenção de questionar o sistema de votação do país. Ao contrário, as mentiras foram calculadamente planejadas. Sem querer querendo, o pré-candidato à Presidência retoma a estratégia levada ao extremo pelo ex-presidente Bolsonaro.
Notícia deste sábado 25 de julho. O jornal The Whashington Post revela que Donald Trump decidiu enviar dois diplomatas ao Brasil com a missão de tumultuar o ambiente eleitoral brasileiro. O Itamaraty detectou o movimento e já negou vistos para dois representantes do governo americano. Não resta dúvida quanto aos planos de Trump.
Em março deste ano, na tal “conferência conservadora” no Texas, Flávio já havia levantado suspeitas sobre as urnas. Disse para a extrema direita internacional que será o presidente eleito – “se houver uma votação livre e transparente”. Se ele perder, portanto, é porque terá havido fraude. Nada mudou no pensamento da turma.
Enquanto Flávio despejava falsidades por aqui, o irmão Eduardo, vadiando nos Estados Unidos, reforçou essa linha de atuação. Numa live, o deputado cassado ressuscitou um dublê de jornalista argentino que vive a distribuir fake news sobre eleições brasileiras. Fernando Cerimedo foi indiciado pela Polícia Federal, mas escapou de processo.
No mesmo momento em que bolsonaristas reativam a operação fraude nas urnas, Trump anuncia que será candidato à reeleição em 2028. Mas a Constituição americana proíbe um terceiro mandato, consecutivo ou não. O elemento, está claro, já anuncia que tentará atropelar a lei centenária. De fato, a ultradireita está unida além-fronteiras.
Agora vejam só: a família Bolsonaro se elege sucessivamente há mais de três décadas pelo sistema eletrônico. As porcarias da direita alagoana também tocam seus mandatos obtidos na votação em urna eletrônica. Ou seja, quando eles ganham, tudo correu de forma lícita. Se há receio de derrota, porém, tem fraude no sistema.
É desolador que o país tenha de enfrentar tal retrocesso porque um grupo político insiste na depredação das regras do jogo democrático. A mesma delinquência, o mesmo vomitório de vulgaridades contra as instituições, a mesma jogada criminosa para ganhar no grito, levar no tapetão. Não adianta: quem sente saudade da ditadura já era.
Estou esperando pela convocação de Alfredo Gaspar, Fábio Costa, Cabo Bebeto e Leonardo Dias. Quando será a passeata à beira-mar da Ponta Verde “em defesa do voto impresso”? Digam aí, notórios golpistas. Desculpem, eu quis dizer falem aí, patriotas.
