A campanha de Flávio Bolsonaro denuncia o ICL por propaganda eleitoral negativa antecipada. O Partido Liberal entrou com uma representação contra o veículo no Tribunal Superior Eleitoral. O motivo da investida é o documentário Flávio Bolsonaro – A Verdadeira História sobre o Filho Zero Um. Está no YouTube. O PL não pede censura ao filme. O objetivo é impedir a divulgação do produto nos diversos canais que mobilizam milhares de pessoas, assinantes ou não do ICL. E há uma acusação mais grave.

Na queixa ao TSE, os advogados do PL afirmam que o ICL atua de forma dissimulada como braço do governo Lula. Nesse sentido, pedem que o veículo informe se recebe repasses do governo federal, se mantém contratos com empresas estatais e ainda quais os custos para a realização do documentário e as fontes de financiamento. O ICL, segundo sua direção, não recebe dinheiro nem do governo, nem de empresas.

Já escrevi aqui mais de um artigo sobre o ICL. Da última vez, o motivo foi a demissão do jornalista Leandro Demori, que gerou um bafafá interminável nas redes sociais e no YouTube. O veículo está no chamado campo progressista, à esquerda, com um jornalismo que se autoproclama uma alternativa à “imprensa hegemônica”. 

Sim, é claro que o documentário não elogia o personagem. E é muito ruim. Na verdade, não esperava nada de grandioso – pelo contrário, a julgar pelos trabalhos anteriores do ICL. São 45 minutos de informações requentadas. Cada “revelação” feita pelos entrevistados é de conhecimento público. Pode-se dizer que se trata de um estelionato.

Seria adequado, aliás, usar a palavra “documentário” assim, entre aspas. Porque isso está a milhões de quilômetros do que se pode chamar de cinema. Até como reportagem, o resultado é capenga. Um aspecto meio bizarro, e que não faz nenhum sentido, está na seleção das “fontes” que dão entrevistas ao longo da “peça”.

São onze entrevistados. Desses, nada menos que seis – a maioria – é de profissionais do próprio ICL, como Heloisa Villela e Juliana Dal Piva. Mas o inacreditável mesmo é o depoente Eduardo Moreira, o sócio majoritário do ICL. É o que mais aparece. É o dono do brinquedo que se escala para brilhar. Ele faz o mesmo em “documentários” anteriores.    

Além do time da casa, falam no “filme”: Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Otoni de Paula, Julian Lemos e Bruno Paes Manso. Tirando este último, os demais já contaram em sites e podcasts, umas trezentas vezes, o que contam mais uma vez. Nem vou falar de aspectos como roteiro, fotografia, planos, captação de imagem e edição.

Como panfleto político, o objetivo, penso, foi alcançado. A ação do PL afinal atesta isso. Claro que não se pode exigir uma obra cinematográfica. O problema é se vender como documentário, como um “filmaço”, nas palavras de Eduardo Moreira. Aí já é demais.