A Câmara Municipal vai decidir se a prefeitura de Maceió pode contrair quatro empréstimos que, juntos, somam 517 milhões de reais. É uma dinheirama. As fontes seriam BNDES, Caixa Econômica e Corporação Andina de Fomento. O projeto a ser analisado pelos vereadores chega num momento político delicado para o ex-prefeito João Henrique Caldas e seu sucessor Rodrigo Cunha. Pode render confusão.

Embora tenha ampla maioria na Casa, Cunha já recebeu críticas pela suposta falta de transparência nas alegações para justificar a operação financeira. Ao menos três vereadores expuseram desconfiança quanto à consistência nos argumentos do município. Teca Nelma, Rui Palmeira e Leonardo Dias cobram mais informações.

O mais enfático foi Palmeira. Além de falar no plenário, em vídeo numa rede social, o ex-prefeito da capital bateu forte em JHC. Segundo ele, o atual gestor recebeu uma “prefeitura quebrada”. O parlamentar diz que JHC recebeu 2 bilhões de reais da Braskem e pegou empréstimo de mais de 1 bilhão de reais. Fala também de emendas pix.

Ao expor os números, Palmeira afirma que o município não tem verba para pagar pela coleta de lixo, e atrasa o salário de funcionários de creches. Ele arremata o vídeo com uma pergunta para JHC: “Cadê o dinheiro da prefeitura, que você mesmo disse que tinha?”. Certamente os debates na Câmara vão esquentar sobre o tema.

Nas últimas semanas, circularam fortes rumores de que a prefeitura estaria com dificuldade até para pagar a próxima folha dos servidores. Seria um retrocesso de décadas. Nem lembro quando isso ocorreu pela última vez. A situação de fato não é nada boa, como sabem fornecedores e prestadores de serviço em vários segmentos.

Em artigo publicado em 3 de junho passado, especulei sobre a hipótese de Rodrigo Cunha denunciar uma “herança maldita”. Foi uma digressão, é claro. Isso não vai acontecer porque seria trágico para os dois – quase uma confissão de incompetência e estelionato político. Ainda mais no meio de uma campanha eleitoral para JHC.

Pelos acordos de ontem e de hoje, a dupla continua em harmonia, ainda que haja uma dose de fingimento. A prefeitura seguirá como “vitrine” para os planos eleitorais do ex-prefeito – e até de sua companheira Marina JHC. Ela acaba de usar o HC Pet como propaganda em suas redes sociais. Aliás, pode isso? Com a palavra, o TRE.

É nessa agitação, com eleições no caminho, que a Câmara vai decidir se autoriza Rodrigo Cunha a se socorrer da pindaíba, aumentando a dívida pública de Maceió. 

Nota à parte. Fanático pelas maravilhas, mistérios e surpresas da linguagem e do idioma, gostei de um argumento em especial listado pela prefeitura. Os empréstimos vão garantir – atenção! – “o fortalecimento da resiliência climática na capital. Show!