Anthony Garotinho está de volta. Dez anos depois de protagonizar uma das cenas mais dramáticas na política brasileira, ele será candidato a governador do Rio pelo Republicanos, o partido vinculado à Igreja Universal. Em Alagoas, a sigla é chefiada pela família de Antônio Albuquerque, e tem Davi Davino Filho como candidato ao Senado. Mas esses dados são apenas para contextualizar o Republicanos entre nós.
De volta a Garotinho e àquela imagem cinematográfica que aparece na foto acima. Ele havia sido preso sob a acusação de compra de voto nas eleições municipais. Com problemas de saúde, ficou detido num hospital. Uma denúncia de que estaria com privilégios levou a Justiça a decidir por sua transferência para um presídio.
E aí o que se viu foi um espetáculo entre o grotesco e um escandaloso abuso de autoridade. Sem evidências do que seriam os tais “privilégios”, o juiz responsável pela prisão ignorou laudos e testemunhas do ex-governador, e determinou que o político fosse levado para a penitenciária – mesmo correndo risco de vida. Bagaceira geral.
Garotinho é colocado numa maca e conduzido para uma ambulância. Cercado por servidores, seguranças do hospital e policiais federais, ele tenta protestar, mas é dominado à força. A mulher e a filha são impedidas de acompanharem o ex-governador – o que é um direito da família. Ocorre que ali o ordenamento jurídico estava em falência.
A transferência ocorreu durante a noite, numa quinta-feira, 16 de novembro de 2016. É o ano do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A operação Lava Jato estava no auge de suas delinquências contra o Estado de Direito, a presunção de inocência, a Constituição enfim. O país vivia o clima de arrastão geral contra todas as instituições.
Culpado ou não pelas acusações, naquele episódio Garotinho foi vítima do vendaval criminoso chefiado por Sergio Moro e a gang de Curitiba. É o que se chama de espírito do tempo. O Brasil transformado num cadeião, sob a filosofia do prendo e arrebento – e tudo isso com o aval e a cumplicidade de uma imprensa ajoelhada ao arbítrio.
Figura das mais controversas no cenário público brasileiro, Garotinho está longe da santidade. Nos últimos meses, ele reapareceu em tudo o que é podcast, inclusive em seu próprio canal no YouTube, contando histórias de bastidores. O relato mais barulhento foi sobre a “noite das astronautas”, a festinha de Daniel Vorcaro com políticos e garotas.
Na eleição do Rio de Janeiro, ele vai encarar o amplamente favorito Eduardo Paes. Hoje, parece uma missão quase impossível. Mas, para quem passou pela loucura de 2016, a briga eleitoral é uma aventura inofensiva. Tudo o mais é história. Por aí.
