Acabamos de ver a “Copa dos protagonistas”. O que diabos isso quer dizer, não sei. A expressão foi uma das muitas invencionices de narradores e comentaristas da Cazé TV. Bom, qualquer um que seja determinante na vitória de uma seleção sai, por óbvio, como protagonista. Mas a turma engraçadinha da Cazé estava se referindo aos jogadores celebridades. A tolice foi tão “marcante” que se espalhou feito praga pelo noticiário.

Até os concorrentes se renderam ao clichê instantâneo. Na Globo e no SBT, a turma reproduziu a besteirada. Segundo esse raciocínio, “protagonistas” são Messi, Cristiano Ronaldo, Harry Kane, Vinicius Junior, Lamine Yamal, Mbappé. Está claro que a imaginação (ou a falta de) é marca registrada num universo de linguagem rudimentar.

Outra presepada que ganhou tração na Cazé foi o termo “latereio”. O horrendo neologismo é uma mistura de lateral com escanteio. É aquele lance no qual o cobrador do lateral joga a bola dentro da grande área, como se fosse um cruzamento. Também caiu no gosto dos demais veículos. Meio mundo de profissionais adotou a “novidade”.

Aliás, no jogo que decidiu a Copa, agora há pouco, não houve nenhum latereio – para frustração da nossa crônica futebolística. Em compensação, Messi é o cara “de outro planeta” e a Argentina “luta até o fim”, mas dessa vez não deu. A Espanha praticou seu futebol “cerebral”, com “frieza”, e acabou “premiada pelos deuses”.

Na Globo, o excelente Everaldo Marques teve de trocar figurinhas com Junior e Caio Ribeiro sobre a Argentina “traiçoeira”! De novo, não sei o que isso quer dizer. A seleção de Messi também é um time “cascudo”. Mesmo sem jogar nada, “você não pode vacilar com os caras”, diz o bom moço Ribeiro. Junior completa: Eles são “raçudos”.

“Nunca é apenas futebol”, defendem os fanáticos que, justamente pelo fanatismo, não podem servir de parâmetro na avalição dos jogos. Essa tese namora um messianismo pedestre e alimenta o pior das arquibancadas. Esse é o pensamento dos marginais que dominam as torcidas organizadas e patrocinam violência e até assassinatos.

Espanha conquista o título merecidamente. A Argentina não conseguiu um lance digno de uma final de Copa. Ou quase isso. Um desfecho sem contestação quanto às qualidades da seleção espanhola. Para o Brasil, resta a filosofia de Galvão e Ronaldo Fenômeno: que venha 2030. Afinal, aqui é penta e “o brasileiro não desiste nunca”.

Traiçoeiro, o jornalismo esportivo massacra, sem dó, a inculta e bela.