Procura-se desesperadamente um discurso para Flávio Bolsonaro. No caso, quem procura é a suposta direita civilizada – ou o que sobrou desse campo engolido pela ultradireita golpista, corrupta e truculenta. Neste sábado, o candidato dos milicianos esteve no Espírito Santo em evento eleitoral. Do palanque, saiu-se com a frase de efeito: “Não vou baixar a cabeça para tirano algum”. O alvo era Alexandre de Moraes.

O problema para o TARIFLÁVIO é que esse papo de fanfarrão não ultrapassa a bolha que idolatra Jair Messias. É o que reza aquele bom e velho clichê: a baboseira retórica do Zero Um é pregação para convertidos. Ele se agarra à discurseira após o ministro proibir visitas ao condenado que vive em prisão domiciliar. Voltarei a esse ponto.

Por falar em baixar a cabeça, disso o pré-candidato entende. Aquele áudio para Daniel Vorcaro mostra a altivez do rapaz. Em tom rastejante, o sujeito implora pelos milhões do dono do Master para o tal filme sobre o pangaré. Ele começa pedindo desculpas “pelo áudio longo”. Com a voz mansa, declara fidelidade eterna ao banqueiro.

Queimado no público feminino, arruma um pacote de ações para amenizar a crise. Do que foi possível entender, sua grande ideia é “garantir internet” a esse eleitorado que o hostiliza. O anúncio ocorre após o vídeo-bomba de Michelle Bolsonaro. Também vem depois de seu parça Paulo Figueiredo esbravejar que “mulher vota mal pra caralho”.

Nos últimos dias, o episódio da “carta de Bolsonaro aos brasileiros” fez o presidenciável requentar os ataques contra Moraes. Como a divulgação da carta descumpre as medidas determinadas pela Justiça, o ministro proibiu por noventa dias a visita de Flávio ao pai. Tudo dentro da lei, do devido processo legal. Resta ao filhote a conhecida gritaria.

E aí veio o novo tarifaço de Trump contra produtos brasileiros. O tema desorienta a campanha do Zero Um porque ele foi um defensor enfático da medida. Agora, tenta dizer o contrário, mas os fatos são cruéis para ele. Afinal, em caravana aos Estados Unidos, Flávio e Eduardo foram à Casa Branca conspirar abertamente contra o Brasil.

Pelo conjunto da obra, PL e aliados, além da turma do mercado, não sabem se insistem na busca de um improvável rumo capaz de salvar a candidatura – ou se escolhem outro nome para enfrentar Lula. Mas quem seria? Sequestrada voluntariamente pelo bolsonarismo, aquela direita não golpista segue a esmo pelo deserto.