Que fase! A pré-campanha de Flávio Bolsonaro não trata mais de alianças e plano de governo. Nada de costuras regionais em busca de palanques fortes pelo Brasil. A escolha de um nome para vice também saiu do debate. As pautas do Zero Um se dividem em dois grupos. O primeiro: a produção de mentiras sobre o governo Lula e a situação do país. O segundo: as tentativas de explicações sobre os rolos do rapaz no mundo do crime.

Sem novidade, segue a retórica de fim do mundo sobre a situação econômica. Com inflação sob controle – ao contrário das previsões fantasiosas do mercado –, o bolsonarismo aponta para a “carestia insuportável” de todos os produtos. Não importa a realidade, mas a “narrativa” de guerra para as redes sociais. Fake news na veia.

O mais grave, para a turma do TARIFLÁVIO, é ter de explicar as suspeitas sobre esquemas criminosos, como o caso Master. Aliás, dessa mesma origem surge a foto do cidadão de bem ao lado do Sicário, o capanga de Daniel Vorcaro. As ligações perigosas da família Bolsonaro são qualquer coisa digna dos melhores padrões mafiosos.

Mas, para os conservadores, os patriotas que pretendem salvar o Brasil, está tudo bem. É o que pensam nossos representantes do povo aqui em Alagoas, por exemplo. Flávio é um modelo de honestidade e lisura no trato da coisa pública, garante um de seus mais fanáticos apoiadores por essas bandas. Sim, é bandido de estimação.

No meio do pandemônio que toma conta da pré-candidatura miliciana, o filho do Jair partiu pra cima dos institutos de pesquisa. Gravou vídeo para atacar a Quaest, que acaba de mostrar a queda do rapaz e o crescimento de Lula. A manjada estratégia de – insatisfeito com a mensagem – fuzilar o mensageiro. Vai pedir censura outra vez?

Na noite desta quarta-feira 15 de julho, Flávio deu entrevista ao Flow Podcast. Foi mais uma ação adotada às pressas para tentar se livrar de pautas incômodas. E qual a tática? A de sempre: mentir sobre os adversários e o STF. A surrada delinquência de inventar inimigos imaginários, atualizando as teses contra as instituições. Golpismo eterno.

Nas últimas semanas, portanto, saiu o pré-candidato e entrou o suspeito por um conjunto de ações nada republicanas, digamos assim. Acuado, o irmãozão de Vorcaro e Sicário é um perigo ambulante. A eleição é um detalhe diante do projeto de poder.

O ataque à pesquisa se junta à ofensiva ao sistema eleitoral. De novo, a vagabundagem de acusações de fraude na urna eletrônica. Mais do mesmo que começou lá em 2018. Pode até dar uma canseira, mas a desgraça é por aí. Porque a gentalha é irrecuperável.

A bizarrice da cartinha do Jair, autorizando a seita a seguir o filhote, obedece à mesma lógica de produzir fumaça e armar confusão. Vale tudo. Até ferrar o próprio pai.