Futebol e política podem se cruzar em alguns gramados da vida republicana, digamos assim. Os dirigentes do esporte por todo o Brasil têm ligação direta com lideranças partidárias. Em alguns casos, os comandantes de federação transitam entre o cargo e mandatos eletivos. Ocorre o mesmo com presidentes de clubes. CSA e CRB estão aí com um histórico a confirmar a eterna maldição. Com frequência, o resultado é catastrófico.

Mas o texto é sobre outro tipo de relação entre os dois universos. Falo de previsões feitas na imprensa sobre os lances da política e do futebol. O analista do esporte vive a produzir vereditos antecipados sobre o jogo de amanhã e o campeonato que acaba no fim do ano. O que impressiona é a veemência na hora de chutar pra todos os lados.

Tão convictos quanto o especialista futebolístico são os comentaristas de política. Quem vai se aliar com quem. Qual a chapa que será formada na disputa pelo governo. Quais os favoritos para levar um mandato de senador ou deputado. E afinal quem vai ganhar a eleição. Essas são apenas algumas das questões “resolvidas” por antecipação.

Na maioria das vezes, as previsões falham miseravelmente. Mas, no meio da algaravia, quem diabos vai cobrar o profeta do erro? É tanta opinião para todas as direções que nada acontece – muito menos a admissão do erro. Os comentaristas erram quase sempre sobre a decisão nos gramados e a decisão nas urnas eleitorais.

Um exemplo marcante na política. Em 2014, o maior suspense na fase de pré-campanha era o destino de Marina Silva. Em torno da dúvida se ela seria ou não candidata a presidente mais uma vez, todos os bambas da velha imprensa cravaram sim, não, talvez e alternativas a perder de vista. Ela anunciou que seria a vice de Eduardo Campos.

Não houve uma vírgula no jornalismo brasileiro que tenha chegado perto da solução daquele mistério com Marina Silva. Ou seja, todos os que “cravaram” outro rumo para ela não sabiam de patavina. Em grande medida, estavam blefando para o indefeso leitor. (A morte de Eduardo Campos daria novo rumo ali, mas essa é outra história).

O placar de 2 a 0 para a Espanha sobre a França, nas semifinais da Copa, me fez lembrar do episódio da política narrado acima. Todos apostaram na França. O resultado desmoralizou quase cem por cento dos comentaristas, repórteres, apresentadores etc.

Nos dois planos – a política e o futebol –, os que mais gritam são os que mais erram. Quanto mais boçalidade, mais tolice distante da realidade que se impõe. Difícil farejar onde está a fraude no meio de tanta “assertividade”. Quase tudo é estelionato.

Hoje tem Argentina e Inglaterra. “Segundo bastidores”, os ingleses levam.