Os jornalistas Marcos Rodrigues e Wyderlan Araújo estão à frente da maior novidade na TV alagoana em muitas décadas. Desde outubro do ano passado, a dupla apresenta um programa como jamais houve no telejornalismo praticado por essas bandas. De segunda a sexta-feira, o Edição das Nove se propõe à tarefa de apresentar e comentar os fatos mais expressivos da política. Por várias razões, é um desafio e tanto.
Entre 21h e 22h, eles precisam manter o ritmo, num formato que segue receita básica: primeiro a notícia, depois os comentários. A pauta cobre não apenas os lances da província, mas também o que há de relevante no âmbito nacional. Em algumas edições, há entrevistas ao vivo com analistas – o que poderia ser mais frequente.
Falando em desafio, imagino o cuidado que os responsáveis devem ter na condução de um programa que mexe com o mais explosivo dos temas, que é a boa e velha política. Certamente os atores da vida pública estadual acompanham com lupa os destaques na pauta e sobretudo o tom dos comentários. Sabe como é: ninguém suporta a crítica.
Para tocar o barco num panorama delicado, é claro que a TV Gazeta escalou dois nomes com experiência comprovada. Ambos têm alguns anos de manejo com a matéria-prima do Edição das Nove. Estão aí com uma trajetória que passa por jornal, rádio, TV e internet. São também duas figuras sem ligações exóticas com forças políticas.
A carreira de cada um dos profissionais garante duas coisas. Primeiro, o respeito das diferentes correntes ideológicas e partidárias. Segundo, podem transitar por essas áreas em conflito, justamente pela credibilidade conquistada. É fácil notar a busca permanente de equilíbrio para não privilegiar esta ou aquela liderança, este ou aquele partido.
O ano da eleição está prestes a entrar em outro ritmo, com as convenções que definem as candidaturas. Dentro de um mês, a campanha começa oficialmente. As restrições e a fiscalização aumentam sobre a imprensa, a TV em especial. Com a temperatura eleitoral no máximo, naturalmente aquele desafio aumenta para Rodrigues e Araújo.
Qualquer brecha entre uma informação e um comentário pode provocar um pedido de direito de resposta por parte de algum candidato. As bancas de advocacia a serviço das campanhas só pensam nisso. O cuidado nessa parada deve ser triplicado.
Sem a Globo, a TV Gazeta se reinventa, com ênfase em telejornais e entretenimento. Nove meses após a estreia do Edição das Nove, o saldo é amplamente favorável aos apresentadores – além da turma da produção. Jornalismo é trabalho de equipe.
