Vinte anos atrás, festinhas com lobistas e garotas de programa derrubaram Antonio Palocci, o então ministro da Fazenda no primeiro governo Lula. Ele frequentava uma mansão em Brasília para participar de “reuniões políticas” e, nos intervalos, tomava uns drinks na companhia de convidadas especiais. É uma tradição brasiliense desde a inauguração da capital federal. De lá para cá, o padrão foi aprimorado.

Nos tempos de Palocci e outros, ainda não havia a explosão de vídeos gravados em todos os lugares e por todo mundo. O ex-ministro dançou após o depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Durante depoimento à CPI dos Bingos, o rapaz contou o que seus olhos testemunhavam naquelas noites de confraternização.

E chegamos a Daniel Vorcaro. Sai o caseiro, entram os telefones celulares operados pelos festeiros mais indiscretos – ou seja, uma multidão. No escândalo do banco Master, o item mais explosivo, além da roubalheira de dinheiro público, são as festas patrocinadas pelo banqueiro. Parece haver farto registro dos encontros recreativos.

Quando Michelle Bolsonaro compartilhou uma publicação do ex-governador Anthony Garotinho sobre um vídeo das festas de Vorcaro, Flávio passou recibo. Veio a público negar que tenha participado dos eventos. Mas fez questão de reconhecer “erros do passado”. Segundo ele, sua companheira já o perdoou pelos pecados de outrora.

Flávio já havia dito que “pode aparecer algum vídeo” com ele. Mas, insiste, foram fraquezas de um cidadão de bem que, hoje, “é muito melhor do que era”. Ah, bom! Nas últimas aparições, ele está sempre ao lado de sua senhora, dona Fernanda. O Zero Um parece estar pronto para uma defesa mais enfática caso “o vídeo” apareça.

Pelo que está na imprensa, os próprios aliados esperam pela próxima bomba na candidatura do pai de família, cristão e conservador, herdeiro de Jair Messias. Notórios hipócritas da moralidade, Flávio e sua turma precisam se explicar ao eleitorado que sempre viu a família Bolsonaro como ideal de ética e bons costumes.

As suspeitas sobre a conduta do senador no segmento gandaieiro é a mais recente encrenca na aventura eleitoral da extrema direita. Um problema forjado e abastecido pelo próprio discurso cretino dos bolsonaristas. A oposição nada tem a ver com isso daí.

A fixação na vida íntima das pessoas é uma marca da ultradireita e do bolsonarismo. Na gandaia vai quem quer. Problema de outra natureza, e realmente grave, é um político corrupto comprado por dinheiro e sexo. Sem caseiro, tudo no smartphone.