O partido do ex-prefeito João Henrique Caldas, o PSDB, não terá candidatura própria ao Palácio do Planalto. A decisão foi anunciada pelo presidente nacional da sigla, o deputado Aécio Neves. Ele próprio era cogitado para o posto e vinha tendo seu nome testado nas pesquisas. O fraco desempenho do tucano, porém, foi um dos fatores cruciais para abandonar a ideia. Além disso, a legenda não apoiará nenhum dos pré-candidatos que estão na corrida. Em resumo, nem Lula nem Flávio Bolsonaro.
Em termos regionais, o efeito prático é a liberação dos candidatos a governador, que podem se juntar a qualquer um dos concorrentes – ou a ninguém. A princípio, é o melhor panorama para JHC, que ganha liberdade para tomar o rumo de acordo com seus interesses próprios. Até agora, o ex-prefeito não firmou posição.
Como se sabe, o suposto pré-candidato ao governo já recebeu publicamente o convite do PL de Bolsonaro, chefiado em Alagoas pelo deputado Alfredo Gaspar. Não se sabe se aquele famoso “acordo de Brasília” ainda tem algum peso na avaliação de JHC. O acerto envolvendo a nomeação de Marluce Caldas ao STJ selaria apoio à reeleição de Lula.
O palanque do presidente no estado está garantido pela candidatura de Renan Filho, o grande adversário de João Henrique. No meio do nevoeiro, ainda se cogita uma candidatura do ex-prefeito ao Senado – embora seja esta uma hipótese cada vez mais remota. Seria uma alternativa a bagunçar o cenário posto até o momento.
Se nesta altura, a semanas das convenções, a tropa dos Caldas segue praticamente sozinha em termos de alianças, a ver se a escolha do PSDB na disputa nacional terá mesmo influência de peso na definição quanto à briga no âmbito alagoano. A aventura eleitoral de JHC, hoje, parece mais atrelada aos arranjos com candidaturas locais.
É aí que entram os nomes no âmbito literalmente familiar. Aos poucos, as candidaturas da mulher e da mãe do ex-prefeito passaram da especulação para a categoria do quase provável. A ex-primeira-dama Marina JHC – ela adotou esse nome de guerra – está em campanha aberta para a Câmara Federal. Mas o suspense predomina.
Já a senadora Doutora Eudócia, a matriarca do clã de Ibateguara, sinaliza que pode tentar renovar o mandato que herdou do prefeito Rodrigo Cunha. Parece uma causa perdida, mas, na defesa do projeto do filho, ela foi escalada para o sacrifício. Aliados espalham na imprensa que a candidatura está mais do que consolidada. Faz parte.
Enquanto JHC não resolve a equação caseira, suponho que a decisão de Aécio é uma boa notícia para ele. O relógio está correndo. E todos esperam pela decisão do rapaz.
