O “jornalismo esportivo” da Cazé TV acaba de produzir um dos episódios mais vergonhosos na história da comunicação no Brasil. A imagem acima resume a presepada. O que significam essas mãozinhas no ombro do jogador? Depois da derrota de 2 a 1 para a Noruega, a dupla Fernanda Gentil e Fred Caldeira entrevistou Casemiro, uma das estrelas da Seleção Brasileira, uma das caras da geração que fecha um ciclo.
Como já escrevi aqui, a Cazé TV virou queridinha dos que amam odiar a Globo. Além disso, ganhou o coração da “nova galera”, da garotada digital, dos jovens, enfim. Sintonizar o canal da empresa no YouTube é para os que desprezam a jurássica linguagem da televisão. Novos tempos, revolução no jeito de transmitir e consumir eventos esportivos. Esse é o mantra dos que exaltam o modelo que veio para ficar.
O problema é a tal realidade. O que a Cazé apresenta de novidade passa por isto aqui: um bando de influenciadores fazendo gracinha, um bando de machos se esgoelando em palavrões e muita, muita propaganda disfarçada de informação. A parceria dessa “inovação” com o ranço contra a velha Globo turbinou a audiência via internet.
Para mostrar que é mesmo a vanguarda no negócio esportivo, a empresa brindou sua torcida com o “comentarista” Romário, o senador da República. Socorro! É sério que isso representa um avanço sobre a TV? Uma das pérolas produzidas por Romário foi tratar com grosseria, ao vivo, a colega de trabalho Fernanda Gentil. O babaca de sempre.
Por ironia, foi a mesma Gentil que, ao lado de outro inovador na imprensa, Fred Caldeira, mandou ver na inacreditável entrevista com Casemiro, o atleta-símbolo de um grupo derrotado. O desempenho dos profissionais e a postura do boleiro resultam no vexame perfeito. Perguntas cretinas, respostas infantiloides. E quilômetros de lágrimas.
O desastre chegou no auge quando a ex-global perguntou ao volante o que ele tinha a dizer às crianças após a derrota. O homem de 34 anos, capitão do time brasileiro, gaguejou, choramingou mais um pouco e disse que precisava “voltar para casa”. E saiu. Os “jornalistas” – agora as aspas se impõem – fecharam a conta com jeito pateta.
É a velha conhecida vergonha alheia, explica uma antiga expressão eternamente repaginada. Mais uma prova de como a Cazé TV é modernosa, da era do metaverso, da geração Z. A turma segue na Copa se achando, ganhando novos fãs e seguidores.
Trocar a embalagem não altera a qualidade do produto. Sofás coloridos e mesinhas com design “arrojado” não tornam o debate inteligente. Porque a essência dos debatedores é a de sempre. Por enquanto, a revolução da Cazé TV é no mercadão publicitário.
