Digamos que um pré-candidato do PT em Alagoas seja sócio de uma empresa. O que você pensaria se descobrisse que a empresa desse pré-candidato foi contratada pelo mesmo PT para serviços de divulgação política? Os recursos usados saíam do Fundo Partidário – portanto, dinheiro público. O que diriam os cidadãos de bem no campo da direita sobre esse claro conflito de interesse? Certamente denunciariam o escândalo.
É exatamente o que ocorre, não em Alagoas, mas no Paraná; não com um petista, mas com Deltan Dallagnol, o ex-procurador do Ministério Público Federal, um dos cabeças da Operação Lava Jato. Em 2025, a empresa do insolente rapazola recebeu 382 mil reais destinados pelo Novo, a legenda que abriga patriotas que lutam pela ética na política.
Além de meter a mão grande na verba pública por meio de um contrato espúrio, Deltan, o cavaleiro que não cansa de combater a corrupção, recebe salário do partido. O contraste entre discurso e prática surpreende apenas os inocentes. Afinal, a República de Curitiba sempre agiu por interesses estritamente particulares. Era também um negócio lucrativo.
No auge da Lava Jato, descobriu-se que os doutores do MPF, chefiados pelo juiz corrupto Sergio Moro, tramaram uma fundação para ficar com as multas aplicadas pelo magistrado. Era um fundo a ser usado no “enfrentamento a práticas corruptas na política brasileira”. Nunca se viu tamanha cara de pau no centro de uma instituição como o MP.
Embora não deva causar surpresa a ninguém, não deixa de ser espantoso que aquele grupo tenha agido de modo tão desavergonhado. Os caras se apresentavam como os reis da moralidade pública. A grande imprensa elegeu Deltan, Moro e outros de mesma categoria como salvadores da pátria. Até a Vaza Jato desmoralizar a quadrilha.
Um projeto ideológico disfarçado de operação contra desmandos no mundo político. Depois da Vaza Jato, a série de reportagens do Intercept Brasil, a turma foi exposta na real. Mas, como a onda do antipetismo segue firme, o discurso picareta se mantém na ordem do dia. Nunca foi em defesa da ética, mas aventura eleitoral de um grupelho.
Moro e seus colegas deixaram as carreiras profissionais no Judiciário e no MP, e mergulharam na “velha política” – que diziam combater. Todo mundo mamando nas tetas do dinheiro público. Fundo partidário, emendas, cargos comissionados, contratinhos aqui e ali – e vida boa que segue. A empresa de Deltan e o Novo resumem a farsa.
