Valdemar Costa Neto não tem mandato. Ele está nos holofotes e aparece todos os dias na imprensa porque é presidente nacional do PL. Há coisas que só acontecem com Valdemar. Como se fosse um deputado federal – o que ele, reitero, não é –, descobre-se agora que o homem recebeu, em 2024, mais de 100 milhões de reais em emendas parlamentares. Se é emenda parlamentar, quem tem acesso? Os parlamentares. 

Mas o mandachuva do PL de Flávio e Jair Bolsonaro deu um jeito de se meter na fila dos que têm mandato no Congresso Nacional. Não se sabe ao certo como ele conseguiu essa mágica. É o que revela investigação da Polícia Federal, noticiada desde esta sexta-feira 10 de julho. O acusado se defende afirmando que tentam “criminalizar a política!”.

Na verdade, ele se refere ao ministro do STF Flávio Dino, que autorizou a operação policial. Dino também determinou o bloqueio de 119 milhões de reais do político. Segundo a Folha, o volume de recursos de emendas abocanhado por Valdemar é maior do que o destinado a 512 dos 513 deputados da Câmara. Como assim?!

Os leitores que acompanham o blog sabem que defendo o fim das emendas. Ou então que se encontre alguma maneira de estancar esse esquema escandaloso que corre livremente na política brasileira. Não é possível que o país continue a conviver com a ladroagem desenfreada que se dá por meio desse mecanismo criado no Congresso.

Emenda individual. Emenda de comissão. Emenda de bancada. Emenda Pix. É um descalabro. Os barões do parlamento arquitetaram a traquinagem perfeita. O Legislativo sequestra o orçamento federal, usa o dinheiro para delinquências eleitoreiras e não presta contas de nada. Sendo repetitivo, é o crime pra lá de perfeito.

Reparem que até cidadãos de bem, acima de qualquer suspeita, aparecem no enrosco de desvio de verbas das emendas. É o caso do deputado Alfredo Gaspar. Como foi fartamente noticiado, em abril passado o Tribunal de Contas da União abriu investigação sobre o destino de 6 milhões de reais enviados por ele à prefeitura de São José da Laje.

A grana saiu dos cofres públicos para “projetos sociais” do município. No papel. No mundo real, o trocado desapareceu. O que diz Gaspar, que trabalhou duro para garantir sua cota de emenda parlamentar? Não tenho nada com isso, falem com a prefeitura. É um clássico. No fim das contas, ninguém se responsabiliza pelo cambalacho.

O escândalo Valdemar tem essa origem. Com transparência zero na engenharia das emendas, o Brasil joga milhões de reais no lixo – quer dizer, nos bolsos de alguns. Até patriotas inocentes são arrastados pelo vendaval imparável. Por isso, insisto: depois da saúva, ou o país acaba com as emendas ou as emendas acabam com o país. Por aí.