André Mendonça com o caso Master, Flávio Dino com o caso das emendas parlamentares, Alexandre de Moraes com o caso da relação entre políticos e o crime organizado. Respectivamente, estamos falando da Operação Compliance Zero, Operação Transparência e Operação Unha e Carne. Os três ministros do STF são os relatores das investigações que sacodem o mundo da política em pleno ano eleitoral.

Nos últimos dias, houve ações da Polícia Federal autorizadas pelos juízes do Supremo. A cada amanhecer, há mandados de busca e apreensão, ordens de prisão e bloqueio de bens dos acusados. Empresários graúdos e chefetes de atos criminosos já foram alcançados por essas apurações. Novos alvos podem surgir a qualquer hora.

Nas três operações, senadores, deputados, ex-deputados, prefeitos, ex-prefeitos e ex-governadores viram a PF bater em seus endereços. Alguns já ocupam celas em presídios, outros podem ser enjaulados daqui a pouco. Na mesma situação está uma tropa de assessores e funcionários de confiança dessas lideranças políticas.

Se o trabalho de investigação policial deve seguir em frente, sem melindres com o calendário das eleições, teremos desdobramentos dos três casos nos próximos dias ou semanas. Afinal, em tese, se há crime em andamento, não pode haver um “período de defeso” nas ações para identificar suspeitos e adotar as medidas obrigatórias.

Ocorre que, nas três situações, com suas particularidades e dimensões específicas, cada nova investida policial dispara uma confusão infernal – do alicerce ao topo da República. No caso Master, até o presidenciável Flávio Bolsonaro está no rolo. No campo do governo, a tacada mais pesada pegou o senador Jaques Wagner. Como vai ser?

Não por acaso, vejam o que acaba de acontecer no caso das emendas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a turma de Flávio Bolsonaro, incluindo o próprio, partiram para o ataque. Acusam o ministro Dino de “criminalizar a política”. O presidente da Câmara, Hugo Motta, saiu atirando na mesma direção. E estamos longe de um desfecho.

Supremo e PF vão manter o pé no acelerador ou haverá o chamado freio de arrumação? O instinto de sobrevivência dos detentores de mandato já está ligado na mais alta frequência. As reações mais recentes deixam isso claro. Com a campanha eleitoral nas ruas, novas etapas dessas operações vão incendiar o debate já conflagrado.

O cenário tem tudo para jogar o STF no epicentro do vendaval – o que significaria esticar um processo de desgaste que se arrasta nos últimos anos, reacendendo a crise que parece sem fim. A tensão é generalizada. A ver o que está a caminho.