Falar em clima de velório seria um exagero. Mas o ambiente é cada vez mais pesado na caravana do presidenciável Flávio Bolsonaro. Nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira 15 de julho não tem boas notícias para o senador. Na simulação de primeiro turno, o presidente Lula lidera com 40% das intenções de voto. O Zero Um alcança 28%. Caiado, Renan Santos, Zema e Joaquim Barbosa seguem no fim da fila.

Nas projeções de segundo turno, o petista tem agora 8 pontos de vantagem sobre Flávio. O candidato à reeleição marca 45% contra 37% do principal adversário. Em outras três simulações, Lula derrota seus rivais com uma vantagem que vai de 9 a 12 pontos. Em vários aspectos, os novos dados sinalizam perigo à candidatura da extrema direita.

No duelo ingrato da rejeição, Flávio também está cada vez mais enrolado. Ele “subiu” no placar e ultrapassou Lula. Nada menos que 57% dizem não votar no senador de jeito nenhum. Lula é rejeitado por 50%. Na comparação com os levantamentos anteriores, o filho de Bolsonaro e o presidente estão em tendências opostas.

Pode-se especular sobre os fatores que reafirmam Lula em alta e Flávio em queda. Há pelo menos três meses esse quadro vem se desenhando. O pré-candidato do PL parece ter chegado ao teto no índice de escolha. Enquanto Lula, dado como “morto” na discurseira da oposição, saiu das cordas, foi para o ataque e assumiu a dianteira. 

Desde a revelação das ligações íntimas entre Flávio e o banqueiro do Master, a parada se complicou para o campo do bolsonarismo. Em seguida, veio o TARIFLÁVIO agindo contra o Brasil, no papelão de traidor. No meio, aparece o vídeo de Michelle Bolsonaro acusando o enteado de tratá-la com desprezo e agressividade. Muita confusão.

Para completar o combo, ainda houve o ataque grotesco às mulheres por parte de Paulo Figueiredo, o amigão delinquente de Flávio que vive nos Estados Unidos. Não se pode esquecer: o sujeito afirmou que “mulher vota mal pra caralho”. É o pensamento dessa turma. O pré-candidato se queima com a parcela maior do eleitorado.

Correndo atrás de qualquer factoide para mudar de assunto, Flávio apareceu com a cartinha do papai reafirmando a candidatura do filhote. Pegou mal de novo. Nem os aliados gostaram muito da marmota. Passa a imagem de alguém sem personalidade própria, sem capacidade para governar um país. Na pressão, pode vir mais presepada.

A 81 dias da votação, o mercado, a elite financeira e os radicais à direita batem cabeça para revigorar o nome que apoiam – afinal o que importa é derrotar Lula. Continuam a anunciar o apocalipse em caso de vitória do petista. A estratégia não muda.