No estado com bolsonaristas dispostos a tudo para servir ao chefe, Flávio Bolsonaro corre o risco de ficar sem um palanque oficial. Porque o presidente do PL em Alagoas, o deputado federal Alfredo Gaspar, não consegue se acertar com demais forças políticas na definição de um acordo em favor da candidatura do Zero Um. O dilema, até agora, está na dificuldade para escolher o candidato a governador – e que seja competitivo.
O nome de peso, ideal para a turma da extrema direita, continua sendo o do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas. Mas JHC inferniza o grupo chefiado por Jair Messias com movimentos erráticos e, às vezes, misteriosos. Embora ninguém acredite nessa hipótese, o rapaz ainda incentiva especulações sobre uma candidatura ao Senado.
Ninguém acredita nisso por razões óbvias. A principal é a campanha que está nas ruas. De Norte a Sul, das praias ao Sertão, João Henrique se apresenta como um evidente candidato ao governo. Até em Juazeiro do Padre Cícero o rapaz foi bater, para, segundo ele, renovar a fé em Deus e no povo das Alagoas. Sem comentário.
O ex-prefeito deixou o PL de Bolsonaro e se filiou ao PSDB. Um distanciamento claro do bolsonarismo. No meio do caminho, fez vários acenos ao governo Lula e à tropa do PT. E não esqueçamos: reatou a parceria com o vice-governador Ronaldo Lessa – um nome historicamente ligado à esquerda, incompatível com a seita bolsonarista.
O portal Metrópoles informa que Lula resolveu seus palanques no país inteiro. A única indefinição é Goiás. Quanto a Flávio, ele está sem candidato em seis estados: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão. Segundo a reportagem, o presidenciável do PL “pode acabar sem coligação oficial” por aqui.
Em fevereiro deste ano, durante um evento político, Flávio deixou vazar uma folha com anotações suas. Lá estava escrito que, na eleição em Alagoas, Alfredo Gaspar seria “o único” a pedir voto para ele. Ou seja, pelo mapeamento do aspirante ao Planalto, o deputado poderia ser o candidato do grupo a governador. Isso está valendo?
Não, por uma série de motivos. Enfrentar Renan Filho, de quem foi secretário de Segurança? Para simplificar, não combina. Além disso, as pesquisas mostram Gaspar como forte candidato ao Senado. Como são duas vagas, o homem está otimista.
Nesta segunda-feira 20 de julho se abriu o período das convenções. E nada de uma solução para o impasse alagoano que atrapalha a vida do já muito atrapalhado Flávio Bolsonaro. Liderança maior da ultradireita, Gaspar precisa resolver a parada.
