Enquanto toda a imprensa falava de Copa do Mundo, de tarifaço e da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, um assunto explodiu no YouTube, nas redes sociais e nos sites “alternativos”, tanto à direita quanto à esquerda. A demissão do jornalista Leandro Demori do portal ICL Notícias rende comentários, controvérsias e especulações há pelo menos uma semana. No centro do episódio está Eduardo Moreira (foto).
Fundador e sócio majoritário do ICL, Moreira atribui a demissão de Demori à necessidade de contenção de custos. Mas a coisa não é tão simples assim. O barulho em torno do caso tem a ver com uma aparente contradição entre discurso e prática por parte do empresário. Algumas publicações falaram em censura, o que Moreira rechaçou.
Assumidamente de esquerda, o ICL conta com um time de medalhões da velha imprensa. Batem ponto por lá Chico Pinheiro, Cristina Serra, Heloisa Vilela, Xico Sá, Rodrigo Viana, Luiz Costa Pinto e Jamil Chade. Ídolo do chamado campo progressista, o sociólogo Jessé Souza é sócio e integra o conselho editorial do grupo de comunicação.
As origens do instituto remontam ao ano de 2020. A partir de 2022, o negócio avançou e hoje atua em várias frentes, além do jornalismo. O ICL obtém renda com a realização de dezenas de cursos com professores de peso das universidades brasileiras. O milionário Eduardo Moreira é um ex-banqueiro que decidiu “mudar de lado”.
Ao ganhar projeção, o ICL virou inimigo da turma da direita, como revista Oeste e Brasil Paralelo. Mas, curiosamente, foi se tornando aos poucos um crítico dos veículos de seu próprio campo. Tornou-se frequente a troca de farpas sobretudo com Brasil 247, DCM e Revista Fórum. Ou seja, uma constante espécie de “fogo amigo”.
Mas o que pegou mesmo no caso das demissões – Demori não foi o único – foi uma revelação do próprio Moreira. Ele gravou um vídeo para explicar a “crise financeira”. Lá pelas tantas disse que, entre 2024 e 2025, o ICL teve lucro de 43 milhões de reais. E que distribuiu o valor entre os sócios, vejam só, para não pagar imposto.
Em suas palavras, “com as novas regras da reforma tributária”, a empresa teria de “pagar 5 milhões de reais de imposto indevido”. Ninguém entendeu nada. Ou todos entenderam tudo. Detalhe: ele levou 25 milhões de reais, e o segundo maior sócio pegou outros 16 milhões de reais. Aí complicou. Parece que a alma de banqueiro continua ali.
Ao acessar o YouTube, sou bombardeado com sugestões de vídeos sobre o caso. A maioria é de gente de esquerda descendo a pancada sobre o dono do ICL. Ele também é autor de vários livros que fizeram sucesso. É um best-seller. Com tantos êxitos, Moreira vive talvez seu pior momento desde que passou a pregar a “revolução brasileira”.
Em vídeo, Jessé Souza acusou os críticos do ICL de agirem por “inveja”. Uma bobagem à altura das bobagens que escreve em seus panfletos de baixa qualidade. O homem que denuncia as elites se apressou em defender o parceiro nos negócios milionários. Difícil.
