Dois ministros indicados por Jair Bolsonaro ao STF comandam o processo eleitoral em andamento. Quis o destino que, na primeira eleição depois da prisão do “mito”, o TSE tenha Kassio Nunes Marques como presidente e André Mendonça no posto de vice. A dupla será testada diante de uma campanha que promete ser tão tensa quanto a de quatro anos atrás. O desafio para o TSE está apenas começando.
Até agora, o que de mais controverso havia chegado à Corte foi o pedido de censura a uma pesquisa eleitoral por parte do PL e de Flávio Bolsonaro. E, de primeira, Nunes Marques, o número um do tribunal, já mandou uma bola fora. Com alegações titubeantes, o ministro acatou o pleito do filho de seu padrinho político. Ficou feio.
Mendonça tem laços mais fortes com o condenado por golpe de Estado. Foi advogado-geral da União e homem de confiança de Jair. Agiu menos como um defensor das causas de Estado e muito mais como advogado pessoal do inquilino do Planalto. Além disso, seu requisito principal para o cargo é ser “terrivelmente evangélico”.
Por enquanto, Mendonça apareceu muito mais como relator do caso Master no STF do que por decisões no TSE. Até porque as demandas no campo eleitoral vão proliferar a partir de 16 de agosto, quando termina o prazo das convenções e começa oficialmente a campanha nas ruas. Mas eis que um episódio acaba de acender um alerta.
Refiro-me, é claro, ao discurso de Flávio no qual levanta suspeitas sobre a lisura das urnas eletrônicas. No vídeo, vê-se que o rapaz gagueja, mistura nomes e datas de modo desconexo, mas aciona a mesma estratégia do pai. Inventa uma hipótese de fraude caso ele venha a perder a eleição. É a premissa golpista lançada em 2022.
O TSE divulgou nota para afirmar que o teor das palavras do pré-candidato já foi desmentido lá atrás. Reafirma a segurança na votação e ressalta os mecanismos de verificação e auditagem das urnas. O presidente do TSE não se manifestou diretamente. Longe das câmeras, numa reação previsível, minimizou a presepada do Zero Um.
É o que diz a imprensa nacional, atribuindo a informação a fontes no tribunal. Faz sentido. Como Bolsonaro afirmou mais de uma vez, Nunes e Mendonça são seus fiéis aliados de toga. Não é uma boa imagem para os magistrados do Supremo.
A ver como se comporta o TSE quando a chapa esquentar mais adiante. No caso das pesquisas, Nunes Marques achou de propor um selo de qualidade para os institutos. Uma aberração. Depois do que ocorreu em 2022, o país não pode aceitar retrocesso.
