No mesmo dia em que o ministro do STF André Mendonça autoriza a PF a investigar o “financiamento” do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, Flávio grava um vídeo para fazer as pazes com Michelle, a madrasta má. Enquanto isso, Eduardo aparece numa live, estranhamente alterado, reiterando mentiras para, de novo, atacar o processo eleitoral e as urnas eletrônicas. Uma família atazanando o país sem parar.
Por partes. No dia anterior aos fatos citados acima, surgiu a história das notas fiscais do “escritório de advocacia” do Zero Um para empresas ligadas ao Master. 1,5 milhão de reais nessa brincadeira. Duas notas foram depois canceladas. Pelo menos 500 mil reais foram embolsados pelo hoje pré-candidato – um trocado para os padrões da rapinagem praticada pelo clã desde sempre. O histórico da bandidagem está documentado.
De repente, o aspirante à Presidência vem a público para, em suas palavras, mais uma vez pedir desculpas a Michelle. E segue todo aquele roteiro miseravelmente conhecido: temos de estar juntos para combater o mal maior, livrar nosso Brasil das garras do Lula e do PT. Todo mundo erra, diz o rapaz. Mas existe “um propósito maior”.
A ex-primeira-dama “curtiu” o vídeo. E esse gesto, como se sabe, é a quintessência da interação cordial, da pacificação entre as partes, o sinal verde para a amizade e o amor. Às vezes eu esqueço que vivemos a era do inescapável Metaverso. Viajando.
De volta. Em vídeo-resposta, fala a senhora Bolsonaro: “Flávio, eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e, juntos, vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o Brasil. Deus está no controle de tudo”. Entre tabefes, ameaças e beijos. O que parecia uma ruptura sem volta está superada.
Está claro que a família sentiu o cheiro de sangue, o elevado perigo, e resolveu ajustar atos e palavras. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sempre ele, teria costurado o cessar-fogo, uma trégua, talvez um armistício. Se todos os lados cumprirem o combinado, pode funcionar. Michelle vai à convenção do PL neste sábado 25?
Seria o gesto eloquente a confirmar o acordão. Estamos assistindo, portanto, a uma operação abafa cujo objetivo único é mudar a pauta dominada por crise política, suspeitas de corrupção e investigações sobre o pré-candidato. Bateu o desespero.
Vai dar certo? Ainda que Flávio siga na aventura eleitoral, não escapará das consequências deletérias de tudo o que já aconteceu. É encrenca demais. As confusões no âmbito policial vão continuar. E a campanha pra valer ainda nem começou.
