Ao que parece, Aldo Rebelo pegou todo mundo de surpresa ao comparecer à convenção do PSD, que confirmou Ronaldo Caiado candidato a presidente, tendo Gilberto Kassab como vice, numa chapa puro-sangue. Segundo o portal Poder 360, o alagoano chegou ao evento quando Caiado dava entrevista coletiva. O presidenciável reconheceu Aldo no meio da plateia, interrompeu a entrevista e o convidou a integrar a mesa.

Depois, durante os discursos para uma multidão presente à sede do PSD em São Paulo, Kassab encerrou sua fala anunciando que seria Rebelo quem faria a saudação a Caiado – e passaria a palavra ao “futuro presidente”. E assim foi feito. Coube ao político que nem estava na programação oficial anunciar o auge da convenção.

Em seu discurso, Rebelo se derramou em elogios ao ex-governador de Goiás. “Biografia limpa” e “homem sem mácula” foram alguns dos afagos ao “grande amigo”. Segundo o ex-deputado e ex-ministro, Caiado foi “um realizador como deputado, como senador e como governador”. É alguém “preparado para fazer o Brasil crescer”.

Naturalmente a outra parte do discurso de Rebelo foi de ataques ao governo federal e ao presidente Lula. “O governo Lula interditou o crescimento do Brasil, e só tem como política aumentar gastos e impostos”. Disse ainda que o país sofre com “a mazela da violência” – e afirmou que Lula é conivente com o crime organizado.

A presença do ex-comunista no convescote de Caiado se soma a uma série de episódios que ilustram a guinada política do filho de Viçosa. Desde que deixou o PC do B e perambulou por não sei quantos partidos, Rebelo foi indo cada vez mais para o ninho da direita. Até para Bolsonaro ele dedicou a mais eloquente bajulação. Negócio sério.

A situação partidária de Aldo Rebelo hoje é uma bagunça geral. Foi para o nanico Democracia Cristã para ser lançado candidato a presidente. No meio do caminho, sem passar de 1% nas pesquisas, acabou descartado pelo presidente do DC, João Caldas, outro alagoano ilustre, pai do ex-prefeito de Maceió JHC. A briga foi pesada.

O DC expulsou o presidenciável que deu errado, mas ele recorreu à Justiça, ganhou a causa e voltou à legenda. Sustenta que vai brigar na convenção para manter sua candidatura. JC já escolheu outro nome, a advogada mato-grossense Clariana Barão. Chegar junto de Kassab e Caiado mostra que o pragmático Rebelo fareja longe.