As redes sociais vieram ao mundo na primeira década do século 21. O Twitter, que virou X, surgiu em 2006. Quatro anos depois, nascia o Instagram. Aí pelo meio surgiram os aplicativos de mensagens para o celular, como o WhatsApp e o Telegram. Há outros produtos, modelos e marcas no ecossistema responsável por uma revolução permanente. A vida contemporânea “virou a chave” para sempre na Era do Metaverso.

O movimento das placas tectônicas obviamente alcançaria a esfera da política – as disputas pelo poder de um modo geral e os processos eleitorais em particular. No Brasil, as autoridades e especialistas começaram a tratar do assunto com mais frequência a partir da eleição municipal de 2016. Dois anos depois, a onda subiu de patamar.

Na disputa de 2018, ficou provado que a campanha de Bolsonaro bancou uma operação de disparos em massa de mensagens via WhatsApp, usando dados falsos de usuários e com empresas contratadas no exterior. A ação coordenada distribuiu informações falsas que também circularam no ritmo vertiginoso das redes sociais. O estrago foi imenso.

Nas eleições municipais de 2020, pela primeira vez, a Justiça Eleitoral tratou do universo virtual como prioridade para garantir a lisura do processo de votação. O TSE informava que haveria um trabalho específico para monitorar as redes e barrar qualquer ação que pudesse interferir da decisão do eleitorado. Mas isso ficou mais na retórica.

Porque a burocracia oficial, que está sempre atrasada diante da velocidade dos fatos, foi tão ágil quanto um paquiderme frente ao tsunami digital. Alguns hackers até foram identificados em ações clandestinas e ilegais, mas, no geral, as mutretas continuaram correndo soltas. Quatro anos atrás, o problema escalou o que parecia o ponto máximo.

Aí pintou um troço chamado Chat GPT. E, logo em seguida, a explosão de uma bomba como jamais se viu. Chegamos ao nirvana da inteligência artificial. É a revolução dentro da revolução. Não importam o assunto, a área, a demanda e o enigma. Tudo está sob o domínio da IA. E, dessa vez, não demorou nada para afetar a essência da velha política.

A onipresença da IA é o rolo compressor inescapável sobre as eleições brasileiras de 2026. As urnas eletrônicas, sim, são confiáveis. O voto é auditável. Os protocolos estão garantidos com transparência. E daí? Verdade e mentira, realidade e fantasia, legitimidade e fraude – todas as balizas podem ser dizimadas a qualquer momento.

Redes sociais e IA formam a artilharia de destruição em massa. Enquanto isso, o TSE elabora um mirabolante “marco regulatório” para pesquisas. Só poder ser brincadeira.