O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão em dúvida sobre ir ou não ir aos debates no primeiro turno. Os dois têm razões diferentes e complementares. A turma do PT sabe que, se comparecer aos encontros, o candidato à reeleição será o alvo dos demais aspirantes. Será um pelotão de quatro ou cinco da ultradireita contra o solitário petista. Mas na equipe da campanha há quem defenda que ele participe. Segue a dúvida.

Segundo Malu Gaspar, em O Globo, Flávio teria decidido atrelar sua participação à presença de Lula. Se o principal adversário não confirmar que vai ao embate, ele também sai fora. Na tradição informal de “sair na frente” dos demais veículos, a Band marcou para o dia 23 de agosto o primeiro debate das eleições. A data era outra.

A princípio, a emissora de TV havia anunciado que faria o programa em 16 de agosto, primeiro dia oficial da propaganda dos candidatos. Mas a assessoria de Lula informou que ele já estava com compromisso de campanha para esse dia. Para anular essa alegação, a Band adiou o debate. Ainda assim, o impasse não acabou.

É recorrente nas eleições desde que o mundo é mundo. Mas há uma diferença na eleição de agora em relação à maioria dos casos. Quem quer distância dos debates são os candidatos que lideram a corrida, com muitos pontos de diferença para os demais. Mas, assim como em 2022, a atual disputa segue apertada, agora entre Lula e Flávio.

E o debate ainda tem alguma importância na Era do Metaverso? Antigamente, sim, poderia ser até decisivo. Mas hoje?! Muita gente alega que nem influi nem contribui. Quem diabos vai parar na frente da TV para gastar duas horas com conversa fiada? O formato, mesmo com alguma harmonização, continua engessado, sem dinamismo.

Se os candidatos pudessem escolher, ficavam somente com as sabatinas – onde podem falar sozinhos. E, mesmo assim, nem isso é do agrado da maioria. O que todos querem mesmo é “lacrar” com suas próprias “narrativas” nas ondas incontroláveis das redes sociais. Aliás, é mais para isso que serve hoje a participação em debates.

É uma contradição e tanto. Afinal, numa eleição, o que está em jogo é o confronto de ideias e propostas. Ao menos em tese. Então que os candidatos sejam cobrados a debater isso e aquilo, e a defender ou repudiar isso, aquilo e aquilo outro. Que venham os debates, também por aqui, com os candidatos ao governo de Alagoas.