Faz quase dois anos que João Henrique Caldas vem, com todo o respeito, meio que enrolando lideranças das quais ele se aproxima e se afasta, a depender de cada chuvarada ou estiagem. Não é a melhor das posturas no dia a dia na arte da política. Muito pelo contrário. Declarar apoio incondicional a um aliado na eleição de hoje, e virar adversário na eleição seguinte, repare bem, é do jogo. Não é esse o problema com JHC.

Desavenças e rompimentos ocorrem com frequência na agitação das disputas pelo poder. Aqui também estamos no terreno das coisas naturais no exercício da política. A regra não escrita, mas tacitamente universal, é jogar limpo – sim, isso mesmo – na hora de acertar os termos numa negociação com diferentes atores, metas e interesses.

Entre as qualidades atribuídas a lendas da política brasileira – Ulysses, Tancredo, Lacerda, Teotônio – está a higidez no respeito a compromissos. Mais relevante do que fechar o acordo é cumpri-lo à risca. Embora seja uma expressão desgastada, falar em “palavra de honra” faz todo o sentido nas confabulações entre líderes políticos.

E é nessa ponta da calçada que João Henrique parece tropeçar com uma reincidência acima do tolerável. Seu comportamento é associado a distúrbios um tanto preocupantes na personalidade de qualquer pessoa: amadorismo, atropelo, soberba, desrespeito, boçalidade. Por aí. Não é exatamente um mix de atributos que incentive o diálogo.

Em sua maratona para alcançar o que pretende, JHC conseguiu envolver até o presidente da República. Lá atrás, houve um acordo, o acerto quanto a alianças com atores da política alagoana – e o ex-prefeito até hoje “costeia o alambrado” para driblar o acertado. E olhe que a negociação foi cara a cara com Lula. Na política, isso não pode. 

Pelo conjunto da obra, JHC e sua turma chegam às portas da convenção partidária à sombra da desconfiança até dos mais chegados. Quem será traído? Quem será largado no meio da estrada? Parece que o jovem tiktoker tem como prioridade absoluta garantir o pódio para sua própria família.  Literalmente, é quase uma coligação puro-sangue. 

Alguns dos interlocutores, parceiros, adversários e ex-aliados alvos das convicções invertebradas do aspirante a governador são: Arthur Lira, Renan Calheiros, Alfredo Gaspar, Ronaldo Lessa, Davino Filho, Paulo Dantas e Luciano Barbosa. Cito nomes de proa. Tem mais gente. Todos, em algum momento, se sentiram engabelados.    

Muito em breve teremos um rearranjo nessa antologia de simulações, blefes e até ameaças. Novo capítulo se abrirá após 15 de agosto, último dia para cravar candidaturas.