A convenção nacional do PL, a facção política de Bolsonaro, acabou produzindo um ruído de comunicação sobre a candidatura presidencial confirmada no evento. Pelo protagonismo que teve no circo armado, o candidato da ultradireita se chama Javier Milei, o milongueiro, e não Flávio Bolsonaro, o parça de milicianos. No encontro para cravar um dos nomes na eleição brasileira, o rei da festa foi uma aberração argentina.
De novo, o bolsonarismo produz uma presepada inédita na história deste país. O convidado de honra do PL foi um maloqueiro que ataca o Brasil e suas instituições, ofende o presidente da República e achincalha os princípios da diplomacia internacional. O que tudo isso significa afinal? Terá sido uma tremenda jogada eleitoral?
Supõe-se que os faccionados do PL estavam certos de que, sim, foi uma tacada de mestre. Como assim? De onde terá saído uma ideia como essa, sem perigo de dar certo? Antes de tomar de assalto a convenção, o indecente Milei foi paparicado por Tarcísio de Freitas, o governador do boné em homenagem às tarifas de Trump contra o Brasil.
Reverenciado como se fosse um modelo de estadista, Milei tomou conta do palco, e de lá quase não saiu mais. Gastou quilômetros de tempo com um discurso à base de clichês, falácias e vulgaridades. Mentiu desbragadamente sobre a economia brasileira, o governo Lula e a crise em seu próprio país. Esse farol dos patriotas foi aclamado no covil.
O evento se arrastou por quase quatro horas. Nesse sentido, foi um fracasso de organização. Como o virtual candidato falou por último, quando o Zero Um pegou o microfone, a canseira já havia levado muita gente embora. O rapaz não empolgou ninguém com o papo furado de “aqui tem sangue de Bolsonaro”. Um anticlímax.
Mas Flávio, o irmãozão do banqueiro do Master, serviu também de bobo da corte para seu ídolo Milei. Ficou imitando o argentino, soltando berros, chacoalhando as patas e dando piruetas pelo palco. O aspirante a governar o Brasil se comportou feito um paspalho, num espetáculo constrangedor. Produziu a “vergonha alheia”.
E qual o saldo de tudo isso para a aventura de Flávio Bolsonaro? Um desastre completo, a tempestade perfeita. Aliados e o núcleo duro da campanha consideram que houve um erro estúpido, amplamente negativo para o candidato. Do outro lado da fronteira, Milei apanha nos quatro cantos da imprensa argentina. Lula agradece aos envolvidos.
Até agora tem gente confusa, achando que Milei é candidato no Brasil.
