Renan Santos vai prender e matar. Romeu Zema vai construir presídio no meio da Amazônia. Ronaldo Caiado vai criar regime de isolamento total em super cadeião. Flávio Bolsonaro vai castrar o estuprador e adotar prisão perpétua. Todos eles querem salvar o Brasil com a instituição da pena de morte. Esses são os presidenciáveis que pretendem “livrar o país das garras do PT e do maldito comunismo”. Que tempos!

Como se nota, a extrema direita está pronta para reconstruir o lugar em que vivemos. Eles também pretendem eliminar o Bolsa Família e todos os demais programas sociais que “escravizam” o povo brasileiro. Chega de bancar pobre preguiçoso que se encosta no governo. Marmanjo de bobeira vai ter o “CPF cancelado”. Fim de papo.

O festival de propostas apareceu nas convenções dos candidatos a presidente. Foi uma competição de ideias sobre como eliminar os problemas que estão “destruindo” a pátria e os patriotas. Todos, no fim das contas, miram nas periferias onde estão os segmentos mais vulneráveis da sociedade. É preciso acabar com essa gentalha atrasada.

Os planos agradam de norte a sul. A “elite” da direita alagoana baba com esse discurso do prendo & arrebento. Deputados e vereadores por essas bandas não veem a hora de sair por aí engrossando cadeias e cemitérios com os inúteis que “vivem de esmolas do Estado”. Vamos fazer uma limpa geral. Agora, sim, a mamata vai acabar.

Prova de como fomos bater no buraco é quando um candidato a presidente tem como grande projeto de governo construir penitenciária e matar pessoas em série. Em busca de soluções definitivas para os dramas brasileiros, levas de políticos – incluindo presidenciáveis – foram visitar El Salvador e o carniceiro Bukele. Foi um frenesi.

Escola de qualidade, sistema de saúde universalizado, inclusão social, mecanismos de proteção aos direitos humanos, defesa das liberdades individuais, o devido processo legal, os princípios democráticos enfim. Vamos abolir todo esse entulho que de nada serve. Para conquistarmos esse avanço, basta escolher um dos candidatos citados

Da rapaziada do MBL, aos carcomidos do mercado e do agro, passando pelos jovens renovadores da política, eis a quadra neste perturbador agora. É o século 21. A revolução digital. Inteligência artificial. O Metaverso. A criptomoeda e a Geração Z. A era dos CEOs e dos influencers. Em alguma medida, quem sabe, já encaramos a distopia.