A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro confirmou em convenção do PL, neste domingo 2 de agosto, que é candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Se eleita, teremos mais um ineditismo consagrado na política brasileira. Nunca, na história conturbada deste país, uma ex-primeira-dama se elegeu a mandato eletivo. Quando Jair Messias chegou à Presidência, e também durante o mandato inteiro, tal hipótese nunca existiu.
Na verdade, até a condenação do marido por golpe de Estado, em setembro do ano passado, eram remotas as chances de uma candidatura, embora começassem as especulações. Michelle passa a se destacar nos atos contra a atuação do STF no julgamento do “mito”. Depois do veredito, claramente as coisas começaram a mudar.
Na condição de presidente do PL Mulher, ela saiu pelo país afora, em eventos com lideranças partidárias e de segmentos específicos da sociedade. Ajudou a montar as representações do PL feminino nos estados e, pode-se dizer, formou uma base política robusta. Com isso, aí sim, a ideia de disputar a eleição deste ano virou uma realidade.
Por tudo o que ocorreu nos últimos meses, a pretensão da agora aspirante a senadora era mesmo concorrer ao Palácio do Planalto. Só isso explica a má vontade – e a briga em praça pública – com o enteado Flávio, ungido pelo pai enfim o presidenciável do clã. Uma pacificação cheia de tensão e melindres vem sendo ensaiada nos últimos dias.
Flávio precisa desesperadamente do engajamento da madrasta em sua campanha – o que não aconteceu até agora. Ele sofre para diminuir a vantagem de Lula junto às mulheres, maioria no eleitorado brasileiro. Michelle resolvida como candidata, o Zero Um espera contar com um cabo eleitoral de peso. Veremos daqui a pouco.
A parada não é uma moleza, ainda que a ex-primeira-dama apareça bem nas pesquisas. Segundo dados de julho, do instituto Paraná, a senadora Leila Barros (PDT), que tenta a reeleição, lidera com 39,2% das intenções de voto. Michelle tem 36%. A deputada Erika Kokay (PT) marca 28,3%. A também deputada Bia Kicis (PL) crava 18,3%.
Com duas cadeiras em jogo, Michelle estaria eleita pelos números que temos aí. Mas não será um passeio de jeito maneira. Além do mais, pesquisa é uma coisa, voto na urna é outra bem diferente. Oficializada na convenção partidária, a “cuidadora” do Jair parte em campanha pra valer a partir de 16 de agosto. Periga fazer história.
