João Henrique Caldas se transformou num problema para os aliados, para os possíveis aliados e para ele mesmo. Uma prova disso é que, na reta final para oficializar candidaturas, ninguém sabe o que o ex-prefeito pode aprontar. Ele passeia pelo estado como aspirante ao governo, mas esse projeto, hoje, está entre o tumulto e a incerteza. Em texto anterior, escrevi sobre a desconfiança generalizada na postura do rapaz.
Vereadores de Maceió, deputados e lideranças que embarcaram na aventura de JHC vivem dias de apreensão. De todos os lados, há cobranças quanto aos movimentos erráticos do herdeiro dos Caldas. Política do eu sozinho não existe, é via delirante, em qualquer tempo, em qualquer lugar. Líder fora de órbita leva a tropa ao buraco negro.
A maioria dos insatisfeitos restringe o desassossego aos ambientes reservados, aqueles classificados como “bastidores”. Afinal, não interessa aos envolvidos uma briga pública – o que sempre expõe a fraqueza de um grupo, contrariando o discurso de força e o teatro do “tamo junto”. Mas sempre existe um Kelmann Vieira fora da caixinha.
Um dos principais problemas é a intenção de impor suas vontades e seus interesses, passando por cima de virtuais aliados. Outra falta inaceitável é a quebra de acordo, a popular rasteira. Os recados do deputado Arhur Lira na convenção do PP deste domingo tinham um só endereço. Candidato a senador, ele fareja sinais de trairagem logo ali.
Enquanto abre um diálogo sobre alianças – o que só é possível com apoios de lado a lado –, JHC sai lançando a família inteira para ocupar todos os cargos. Nos adesivos, Marina JHC é apresentada como candidata “ao Congresso”. Mas não existe aspirante ao Congresso. Ou é Câmara ou é Senado. A dissimulação entrega uma trama oculta.
O caso da ex-primeira-dama do município é apenas um dos sinais de como Caldas Júnior age sem levar em conta as lideranças de peso. Soa quase como ofensa pessoal, um desrespeito com quem o rapaz negocia apoio para sua jornada. Em outras palavras, exige tudo, sem nada oferecer. Não há perigo de dar certo. O resultado é isolamento.
Vi um vídeo estranho do ex-prefeito. Tão jovem, nota-se que passou por um reboco facial. No palavreado, uma agressividade amostrada, típica desse modelo vulgar resumido em um Nikolas Ferreira da vida. JHC manda o adversário “sair da rede social para trabalhar na realidade”. Logo ele, o gestor mais tiktoker que já existiu em Alagoas.
A tensão eleitoral pode produzir episódios de dissonância cognitiva.
