Dupla grotesca. O ex-governador de Minas Romeu Zema terá como vice o senador cearense Eduardo Girão. Os dois são filiados ao Novo, um partido que nasceu para “combater a velha política”, mas acabou na cloaca bolsonarista. Faz todo o sentido que o grotesco Zema tenha decidido por tal escolha. A dupla representa com justeza a degradação de parte da vida pública sob o farol da ultradireita. Sem perigo de dar certo.
Transe. O senador Cleitinho Azevedo, outra figura do mesmo zoológico de perversões daquela dupla, voltou a reivindicar ao Republicanos o posto de candidato a governador de Minas – uma maldição caiu sobre o estado. Em plena convenção do partido, ele alegou ter conversado com o Espírito Santo, que defende sua candidatura. É essa turma que vai salvar o Brasil das garras de Lula e do PT – e, claro, da ditadura do STF.
Em maio deste ano, Cleitinho e mais uma horda de bolsonaristas entraram numa espécie de campanha em defesa do detergente da marca Ypê (foto). Foi um “contra-ataque” à operação da Anvisa que retirou do mercado lotes com risco de contaminação. Como a empresa pertence a figuras da extrema direita, a agência sanitária foi acusada de agir por interesse do comunismo globalista. O terraplanismo verde e amarelo é resiliente.
Jornalismo. No último domingo, Flávio Bolsonaro passou sufoco no Canal Livre, da Band TV. Finalmente uma entrevista longe do oba-oba de podcasts amigos. Fernando Mitre, Eduardo Oinegue e Adriana Araújo (ela, sobretudo) fizeram perguntas duras, com dados claros e objetivos, como tem de ser. O rapaz gaguejou, tentou escapar pela lateral e mentiu com a frieza gélida dos psicopatas. Foi exposto em toda sua mediocridade.
Toga suja. A juíza Gabriela Hardt foi afastada das funções por dois anos pela forma delinquente como atuou na Lava Jato, a operação tocada pela gang chefiada por Sergio Moro. A decisão é do CNJ. Ela autorizou a criação de uma “fundação” que seria administrada pelo MPF do Paraná. Procuradores iam meter a mão em dois bilhões de reais pescados em multas aplicadas a acusados. Um escândalo sem precedentes.
No coração da safadeza estava, além de Moro, o então procurador Deltan Dallagnol, que também ganhou montanhas de dinheiro com uma empresa que organizava palestra sobre “combate à corrupção”. A empresa estava em nome da senhora Dallagnol. A punição à juíza Gabriela demorou. O patriotismo da Lava Jato era por grana e poder.
Acabou a piada. Uma das maiores aberrações brasileiras era o tipo de “punição máxima” para magistrados que desonram a toga: aposentadoria com salário vitalício. Essa galhofa ofensiva a milhões de trabalhadores foi extinta. Em sessão desta terça-feira 4 de agosto, o CNJ deu materialidade ao que já havia sido decidido pelo STF.
