O governo americano tentou embarcar para o Brasil dois agentes com a missão de cavar confusões sobre o processo eleitoral brasileiro. O Planalto barrou o desembarque depois de uma reportagem no The Washington Post. Sim, quem revelou a missão secreta de Trump e Marco Rubio foi a imprensa de lá. Não se pode falar de teoria da conspiração do lado de cá, nem de uma jogada política de Lula. Havia um plano deliberado.

Depois da reportagem e da reação brasileira, a Casa Branca negou tudo, é claro, mas deu uma explicação que não melhora muito as coisas. Nota do Departamento de Estado afirma que a dupla teria “reuniões com líderes religiosos e representantes da sociedade civil para discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.

Mas quem disse que o Brasil precisa de estrangeiros para avalizar o nível das liberdades individuais por aqui? Acusações de supostas violações nesse sentido não passam de artefatos da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro. É um dos mantras de delinquentes do bolsonarismo e da ultradireita. Nem há novidade nisso daí, uma retórica requentada.

A matéria do Post foi clara e taxativa a partir do título: “Governo Trump prepara ataque às urnas brasileiras”. Aqui também não se tem nada de novo. É da tradição americana a intromissão indevida em países, notadamente na América Latina, mas não apenas. As pretensões imperialistas atravessam décadas. Variam os métodos e estilo.

O caso das tarifas e sanções contra o governo brasileiro já deixou clara a disposição da turma de Flávio. O candidato a presidente da República escreveu, preto no branco, em carta para Rubio: não tarifem agora porque isso vai ajudar o Lula. Depois da eleição, aí está tudo bem. E mesmo com esse rastejamento, foi ignorado por seus chefes.

Sabe-se que Flávio e o irmão Eduardo se comportam como capachos, cumpridores de ordem do governo Trump. São serviçais de um país estrangeiro engajados em sabotar as causas e os interesses do Brasil. Não há registro de traição em modo tão depravado na história deste país. A gente só acredita porque está vendo. Não há dúvida.

As eleições terão observadores de vários países – como sempre ocorreu. Não haverá, como não houve desde a redemocratização, qualquer embaraço para a verificação sobre o processo eleitoral. Mas e daí? O que Trump pretende não é atestar lisura de coisa nenhuma. Ele quer eleger o pau mandado, o quinta coluna Flávio Bolsonaro.

Nenhuma eleição foi tão ameaçada como a que vem aí. Alerta de perigo.