No cenário deliberadamente tosco, com uma mesa e uma bandeira do Brasil ao fundo, Flávio Bolsonaro repetiu, durante a live que imita o pai, uma informação que já era conhecida. Em Alagoas, o candidato a senador que sua família apoia é Arthur Lira. Nas palavras do presidenciável, “um compromisso do presidente Bolsonaro”. Também é de conhecimento universal a meta da extrema direita na eleição ao Congresso.
Eduardo, o Zero Três, que teve o mandato cassado e vai curtindo a vida nos Estados Unidos, já verbalizou, sem meias palavras, que “pode haver vitória na derrota”. Ou seja, mesmo que Lula vença a eleição contra o Zero Um, ter grande maioria parlamentar – sobretudo no Senado – garante os Bolsonaro no comando. Como?
A família seguirá como a força principal de oposição, mas com uma novidade, caso faça um arrastão de senadores. Com maioria folgada – é o sonho da turma –, um governo Lula 4 não vai aprovar nada no Legislativo. Na outra via, as pautas oposicionistas vão correr soltas. Projetos do governo? Veto geral. Coisa nossa? Passa tudo e mais um pouco.
A outra prioridade é o impeachment de ministros do STF. Ideia fixa na tropa bolsonarista, cortar a cabeça de integrantes do Supremo é ação essencial para pavimentar o retorno de um Bolsonaro em 2030. De novo: esses planos já foram expostos, mais ou menos às claras, pelos filhos do Jair e apoiadores como Paulo Figueiredo e Rogério Marinho.
Além de uma maioria folgada de senadores, é estratégico garantir o comando da Casa. É aí que entra o “compromisso” com o deputado federal Arthur Lira. Como ex-presidente da Câmara, a relação com Bolsonaro presidente foi uma lua de mel “hétero”. O “mito” e seus herdeiros contam que o alagoano dará curso a esses planos. É a palavra empenhada.
Por circunstâncias meio improvisadas, como se vê nas convenções estaduais, a escolha de Alfredo Gaspar, do PL, para ser vice de Flávio, é uma tremenda ajuda à candidatura de Lira, comandante do Progressistas. O PL meio que reforça o acordo com o deputado. Mesmo que Gaspar caia do posto de vice, o combinado Lira-Bolsonaro se mantém.
Arthur Lira tem como objetivo para os próximos meses levar duas eleições. Em outubro, tentará o mandato de senador. Eleito, disputa em fevereiro de 2027 a presidência do Senado. Para isso, espera contar com os votos da direita e do bolsonarismo.
Naturalmente, o deputado nega a existência de acordo fechado com Bolsonaro sobre esses pontos controversos, que são, reitero, os seguintes: infernizar o governo – se Lula ganhar – e cortar cabeças de ministros do Supremo. Aguardemos o curso da história.
