Para 88% dos brasileiros, a opinião de influenciadores digitais pode ter algum peso sobre o voto da população. É uma percepção trágica. 26% dizem que essas celebridades – que ganham uma dinheirama porque são celebridades – terão muita influência sobre o eleitorado. 44% acreditam que haverá alguma influência. E haverá pouca influência segundo 16% dos pesquisados. Os dados são de uma pesquisa Atlas Intel.

Segundo o levantamento inédito, divulgado pelo site Poder 360, apenas 9% dizem que essa turma não tem capacidade para influenciar em nada na escolha dos candidatos. Os números revelam o quanto a maioria da população enxerga relevância nessa nova classe social que emergiu com a explosão das redes sociais. Tudo isso faz muito sentido.

Uma prova do poder de fogo dos influenciadores está na epidemia de jogos de azar. O clássico Tigrinho levou tanta gente a perder dinheiro que rendeu até operações policiais – e cadeia para os emergentes paridos no Metaverso. Em alguns casos, identificou-se nada menos que sociedade entre influencers e facções do crime organizado.

Carlinhos Maia, que saiu de Penedo para o planeta dos astros multimilionários, é o representante maior de Alagoas nessa rave permanente. Suas estripulias estão no topo dos likes, curtidas, compartilhamentos e lacrações. Vive nas manchetes e é paparicado por figuras públicas detentoras de mandato. De fato, o cara tem influência.

Deve ser por isso que, como mostra reportagem no CADA MINUTO, o rapaz dá ordem até na Polícia Militar. Ao menos é o que parece, diante da notícia de que ele usou viatura e policiais para produzir “pegadinha” que vai abastecer suas redes sociais. A privatização do bem público com uma desfaçatez escancarada. Um insulto à população alagoana.

Outra evidência do quanto a categoria influencer está com todo ibope é o número de candidatos nas eleições pelo Brasil afora. Aliás, já escrevi artigo no blog sobre o futuro do país com um presidente saído desse meio. É questão de tempo. Hoje, eles turbinam o voto em alguém. Amanhã, irão às urnas como candidatos ao Planalto.

Enquanto isso, Rico Melquíades, outro alagoano influencer, se filiou ao PSDB a convite de João Henrique Caldas. Seria candidato a deputado federal, mas acabou desistindo. Explicou a desistência com uma piada para seus seguidores. Disse que não daria certo “porque iria roubar muito”. O PSDB, de respeitável história, não se pronunciou.

Sobre Carlinhos Maia e a PM, o comando da tropa prendeu os policiais envolvidos na presepada e anunciou que não compactua com o erro. A nota burocrática não ameniza a dimensão do episódio. O insolente Maia fez o que fez porque autorizado por um ambiente que afronta os limites da institucionalidade. Um passo a mais, é o abismo.