A prioridade não é debater as questões da economia brasileira. Não se trata do que pode ser feito para melhorar a vida da população. O que está no topo do plano de governo de Flávio Bolsonaro, embora não escrito, é como tumultuar o país. Já escrevi sobre essa estratégia baseada na confusão e na fabricação de um clima de caos. Daí que o bolsonarismo esteja com as velhas papagaiadas sendo requentadas. De novo.
O que importa é cortar cabeças de ministros do STF. O que importa é voltar à porcaria daquele discurso antivacina. Diretamente de sua vadiagem nos Estados Unidos, o arruaceiro Eduardo Bolsonaro atiça a seita do lado de cá. Todos contra a vacinação das crianças. Todo poder à família tradicional para decretar o futuro mortal de seus filhos.
É essa visão de mundo que prega a bagaceira que explica a escolha de Alfredo Gaspar para vice do Zero Um. A enorme contribuição do alagoano para a campanha é “infernizar o Lula” com a zoada sobre Lulinha. Que coisa. Então é para isso que a gente quer um vice-presidente? Ainda bem que Geraldo Alckmin não é dessa vibe.
A extrema direita, ao que parece, entende que não adianta atacar o governo Lula – porque os indicadores desmentem a pregação do apocalipse amanhã. Claro, problemas existem de sobra. Mas também temos inflação no absoluto controle, quadro de pleno emprego, expansão de programas sociais e investimentos em diversas áreas.
Mas Flávio e sua facção política preferem o teatrinho farsesco de “fraude eleitoral” e Trump disposto a “prender” Lula, esse amigão do crime organizado. Um Bolsonaro acusar alguém de ligação com criminalidade é piada pronta e acabada. Logo essa família – que exalta e condecora milicianos, torturadores e matadores de aluguel.
Para Flávio, a outra frente inesgotável de agitação na campanha é a prisão domiciliar do golpista condenado a 27 anos de cadeia. No domingo Dia dos Pais, houve cartinha e lágrimas. O pedido para visitar o delinquente foi negado, como era líquido e certo. A encenação serviu apenas para esticar a ficção do vitimismo, a ironia do mimimi.
Por enquanto, torcendo para não aparecer nova encrenca – tipo algum vídeo capaz de melindrar a família conservadora –, Flávio e companhia correm nessa raia do terrorismo em relação a tudo. Donald Trump é aliado de primeira hora na estratégia de atacar as instituições do país. Mais uma vez: o bolsonarismo respira tumulto e podreira.