O banco Master foi liquidado em novembro do ano passado. Foi naquela ocasião, após a decisão do Banco Central de encerrar a aventura do banqueiro Daniel Vorcaro, que se soube do estranho negócio feito pelo Iprev Maceió. O instituto de previdência de servidores e pensionistas da prefeitura da capital perdeu pouco mais de 100 milhões de reais com uma jogada suspeita. E entrou na mira da Polícia Federal.
Na manhã desta segunda-feira 10 de agosto, a PF bateu à porta da sede do Iprev. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em outros endereços, inclusive em São Paulo. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Demorou, mas finalmente a investigação chega à base do arranjo fraudulento.
É uma fraude porque o Iprevi “investiu” uma fortuna nos chamados papéis podres, títulos de crédito sem rastro financeiro capaz de honrar as promessas de ganho fácil. Em outros estados, como Acre e Rio de Janeiro, o escândalo já levou gente para a cadeia. Vorcaro também está preso. Tentou delação premiada, mas não conseguiu acordo.
A diretoria do Iprev foi nomeada pelo então prefeito João Henrique Caldas, hoje virtual candidato a governador. A prefeitura, agora nas mãos de Rodrigo Cunha, alega que o instituto seguiu a lei – e que o saldo nos cofres da entidade passa de 1 bilhão de reais. Com isso, afirma o município, aposentadorias e pensões estão garantidas.
Beleza. Mas esse não é o problema. As contas no azul não esclarecem o que interessa. Os mais de 100 milhões de reais, ao menos até agora, estão perdidos. Quem lucrou com a lambança urdida nas sombras pelo Iprev Maceió? Alguém terá de pagar essa conta.
Repercussão política. Desde o fim do ano passado, reitero, sabe-se do aparente malfeito envolvendo o Master e a prefeitura. Somente uma investigação da PF poderia esclarecer os fatos. Pois agora temos uma operação em plena campanha eleitoral.
O caso, é evidente, tem implicações políticas e será usado na guerra entre candidatos. Os adversários de JHC atacam outro escândalo, o da Secretaria de Saúde, sob o comando do governo estadual, e tentam o link com o senador Renan Filho.
Mais adiante saberemos se a pauta policial terá peso na boca da urna.
